Nine, de Rob Marshall
Não podemos julgar os defeitos de Nine pensando nas virtudes de Oito e Meio. O filme de Fellini é uma obra-prima. O de Marshall vem apenas vulgarizar o trabalho de um mestre. Sejamos francos; as inúmeras sequências musicais são de doer; as performances de Kate Hudson, Penélope Cruz e Nicole Kidman (e Sophia Loren) são vazias; a limitação estética é um embaraço. Ponto na conta de Daniel Day-Lewis, que fantástico ator. Credita também uma moral a Marion Cotillard, que ótima atriz. Pudera o filme ser analisado diante de apenas suas performances. Seria uma obra-prima. Nota: 3
Elefante, de Gus Van Sant
Aqueles longos travellings que seguem os personagens a um palmo de distância querem esquadrinhar um espaço, e o fazem com elegância. Neste bom filme de Gus Van Sant, sobre o massacre de Columbine, esse espaço é por onde brilha o maior protagonista do filme: a câmera – o que é estranho. Ao passo em que o plano sequência invade a rotina dos alunos e nos aproxima de suas personalidades e anseios, cria um distanciamento deles próprios diante do público, pois chama atenção demais para a câmera e seus “efeitos”. Essa não é uma visão limitada acerca da obra, mas deixa a sensação de que o filme parece querer dizer “Vejam, eu dirigi este filme. Eu sou Gus Van Sant”. No entanto, isso não reduz o filme, que pode ser o melhor de Van Sant. Mas esse talvez seja o limite do cinema dele. Nota: 7.5
Duplicidade, de Tony Gilroy
Dois magnatas esbofeteiam-se numa pista de vôo em slow motion. A super câmera lenta de Tony Gilroy cria uma cena reveladora sobre o “o quê” do filme, mas deixa em branco durante o restante os porquês – não que seja necessário explicá-los, pois isso acaba criando um clima de tensão muito bem-vindo. O problema é que Duplicidade é um pleonasmo. Apesar das interpretações interessadas de Julia Roberts e Clive Owen, Gilroy insiste a todo instante e catapultar sua narrativa (não chega a confundir, mas transforma o filme em um ensaio estilístico) com um vai e vem inocente. Mas o filme não é ruim. Nota: 5
Romance, de Guel Arraes
Ainda que alguns diálogos pareçam derivados da TV, Romance consegue manter distância da grande maioria dos excessos televisivos. Seu protagonista é um diretor de teatro, vivido por Wagner Moura (um pouco fora de tom no início, melhora junto com o desenvolvimento do personagem). Letícia Sabatella, Andréa Beltrão, Vladimir Brichta, José Wilker (bem dirigido e com um bom personagem pode render) e Marco Nanini representam bem o próprio universo em que vivem. Nanini, aliás, rouba a cena quando surge no filme. Isso não é bom para o filme – quando um personagem secundário (e que poderia ser dispensável) chama atenção para si. Nota: 6
Por Amor, de David Hollander
O título nacional engana. Por Amor é menos sobre um romance e mais sobre um drama. É o típico filme onde todo mundo já sabe onde vai parar – são evidentes suas limitações. O diretor David Hollander tenta preencher seu filme de cenas melosas com um didatismo pueril. E isso acaba esvaziando seu filme. Os personagens não são só vazios em seus interiores. Nem mesmo Ashton Kutcher e Michelle Pfeiffer salvam o que resta do filme, um esboço interessante sobre um tema que pode render um bom filme. Além disso, a cena do beijo é feia, chega a constranger. E a culpa é da câmera. Nota: 3.0
No Meu Lugar, de Eduardo Valente
No Meu Lugar, longa de estreia do crítico e cinéfilo Eduardo Valente, problematiza a violência sem escancará-la na tela como mero discurso. É um filme de bom conteúdo, que trata sobre um assalto (a qual não temos acesso a primeira vista) seguido de morte com muita propriedade e elegância. Essa coragem de não mostrar, de deixar a tensão florescer no espectador, de se afastar do fácil caminho sobre a realidade óbvia e de preconceito do país, é o que o difere de tantos outros filmes nacionais ao abordarem a violência. Nota: 7.5










