11/11/2009

Viva os chatos

Uma coisa é certa nesta vida além da morte. Ou você tem um amigo chato ou você mesmo é um. E não há qualquer problema nisso. Provavelmente você nunca tenha parado para pensar, mas talvez o seu melhor amigo seja um chato de primeiro nível. Claro, existem várias categorias de chato. O chato que fala só bobagem. O chato que está te cutucando quando fala, com se isso fosse lhe fazer prestar mais atenção. O chato que fala salivando. Tem também aquele colega chato, que sabe tudo e mesmo assim está na faculdade só para pegar diploma e azarar a mulherada. Entre outros. Só não podemos confundir o chato com o mentiroso. Este segundo não tem caráter e objetivo na vida. Já o chato sim, este almeja algo e tem sempre algo a lhe dizer.

Sinceramente, deveria existir o Dia Internacional dos Chatos. É sério. Poderia ser um feriado. Uma festa de proporções gigantescas, algo como o Brazilian Day em Nova York ou a passeata gay em São Paulo ou a festa dos tomates em Bunõl, na Espanha. Os chatos merecem isso. Um dia inteiramente dedicado ao ensinamento da cultura chatista, com oficinas de como ser chato, distribuição de livros e autógrafos dos mais conceituados chatos do mundo e palestras sobre a história da chatice. Poderia ser criado o Festival de Cinema de Filmes Chatos especialmente para este dia, com uma programação inteira e exclusivamente dedicada para os lançamentos mais chatos do mercado internacional. Com o cinema no meio de tudo, a globalização da chatice, bem como a expansão da cultura, ganharia um incentivo de peso.

Poderiam existir mais eventos dedicados aos chatos, além de congressos e partidos políticos. Partido da Causa Chatista, o PCC (sem trocadilhos, por favor), presidido por algum apresentador de programas televisivos dos finais de semana. Pegando a abertura da televisão, deveria ser criado um programa especial, com as matérias mais chatas realizadas pelos repórteres mais chatos. E, claro, com exibição no domingo, para aumentar a tensão da chatice.

No Brasil, outra coisa que não quer calar é a questão da falta de oportunidade nas universidades para os chatos. Existem cotas para negros e egressos do ensino público, mas não existem vagas reservadas para os chatos. Pô, pessoal, está mais do que na hora de mostrar que existe uma democracia neste país de mais 500 anos de chatices. Nem sequer um curso de graduação para que interessados na chatice possam conhecer um pouco mais esta maravilhosa arte. Nada. E não vale dizer não existe mercado para os chatos, principalmente com tantos chatos puxando sacos por aí. Na verdade, existe quase uma religião. Pois ser chato é uma dádiva vinda de algo ainda não compreendido pelo homem.

Então, se você se considera um chato, ou melhor, se seus amigos te consideram um chato, afinal, chato não sabe que é chato assim como louco não sabe que é louco, sinta-se homenageado. Esta é a homenagem aos chatos. A você e seus amigos. Chatos, regozijem-se e unifiquem-se.



A trajetória de Quentin Tarantino não deixa dúvidas, estamos realmente diante de um cineasta plenamente conhecedor da linguagem cinematográfica. Ele conhece a gramática narrativa, a estética visual e sonora, tem o apelo do olhar cirúrgico capaz de transmitir emoções – recurso não muito comum no cinema contemporâneo – e é dono de uma habilidade impressionante para construir a mise em scène. Mas o mais importante de tudo talvez seja o fato de que Tarantino não se perdeu em suas fascinações e continua evoluindo a cada projeto que assume controle. Neste seu último trabalho, o diretor ainda fala sobre vingança (claro, com sua habitual violência gráfica on screen), e não resta dúvidas de que estamos diante uma obra-prima. É um maestro regendo todos os elementos de sua ópera com tanta precisão que fica difícil não concordar com seu alter-ego inchado.

O conhecimento de cinéfilo que Tarantino adquiriu ao longo de sua vida (seja como atendente de locadora ou cineasta) revela o olhar atento de um diretor apaixonado pela sua arte. Ele vai das referências mais óbvias (Era Uma Vez no Oeste, Rastros de Ódio) até composições de planos mais discretas, mas que não escondem a visão remasterizada de suas obras de cabeceira. Não obstante, sob citações e influências Tarantino elabora um pastiche exclusivamente seu, verdadeiramente autêntico. Nas mãos de um realizador menos habilidoso tantas referências poderiam significar o limbo pela alimentação do trabalho alheio. Sob o comando de Tarantino, no entanto, há uma coesão de estilos e gêneros e a criação de um universo particular, pensado e pincelado na tela como um quadro de Goya no auge da loucura. Com autarquia plena sobre todas as áreas da maquinaria cinematográfica, Tarantino faz um cinema pulsante, que nos leva para além do que estamos acostumados. E é sem falsa modéstia que ele nos entrega sua obra de arte mais completa: Bastardos Inglórios.

Destrinchar as veias do cinema de autor é fácil, complicado é o fazer com propriedade e da maneira sistematizada que o faz este verdadeiro cineasta. Os bastardos de Tarantino são a personificação mais clara da vingança – e novamente temos um dos temas recorrentes na carreira deste cineasta – no currículo do autor. À luz da lógica, representam uma crítica ante um determinado estado das coisas, que Tarantino converte para seu universo brincalhão, ou seja, banalizam a violência gráfica e registram não só cada momento de agonia, mas acima de tudo a conjunção de várias mentiras e verdades que forma um todo impecável. A possibilidade de percorrermos a exposição dos planos e dos personagens de cada um dos capítulos como se fossem filmes independentes e deles retirar grandes virtudes (tanto técnicas quanto estético-narrativas) é outro grande trunfo do diretor. A colocação de todos os elementos nos planos é nunca menos que correta, o que valoriza ainda mais a mise em scène e os chamados tour-de-force.

Aliás, em Bastardos Inglórios não há uma peça sequer fora do lugar, desequilibrando a balança. O elenco internacional, dos pés a cabeça, é prova de que Tarantino é sim um grande diretor de atores. Em Brad Pitt (Aldo Raine) temos a personificação do norte-americano que utiliza de técnicas de apache para alcançar seus objetivos. Colocando-se entre a caricatura e o engenho cultural de um interiorano, o ator desenvolve um personagem com habilidade. Algumas de suas ditas já viraram bordões. Do outro lado, Christoph Waltz (Hans Landa) eterniza a imagem de um oficial nazista intelectualmente superior a qualquer outro (repare na diferença entre Landa e Raine). Waltz é impecável em todos os movimentos de seu personagem. Landa é um poliglota, e o ator austríaco incorpora o gestual de cada língua que fala com extrema categoria – e são quatro (inglês, francês, alemão, italiano). Ademais, Mélanie Laurent esbanja personalidade - já conhecida por seus trabalhos nos franceses De Tanto Bater, Meu Coração Parou e Não se Preocupe, Estou Bem!. Outro que já eternizou seu personagem, mesmo com poucos momentos em cena, é Eli Roth. Mais méritos para Tarantino, que segurou sua entrada em quadro no “clímax inesperado” mais bem conduzido do ano, mas o ator mostra que sabe bem satisfazer as expectativas criadas por Tarantino. É agonia e êxtase.

A trama que só poderia ser fruto da mente incandescida de Tarantino tem seu ponto de partida já quando a França está ocupada pelos nazistas de Hitler. Para tentar combater o poderoso exército nazista, o tenente Aldo Reine (Brad Pitt) explica: “Eu estou reunindo um pelotão, e preciso de oito soldados. Oito soldados americanos judeus. Nós seremos deixados na França, vestidos como civis. E uma vez em território inimigo nós iremos fazer uma coisa e uma coisa só... matar nazistas”. Enquanto isso, Shosanna Dreyfuss (Mélanie Laurent) escapa de um genocídio onde toda sua família morre pelo comando do coronel Hans “Caçados de Judeus” Landa (Christoph Waltz). Depois disso, Shosanna foge para Paris e muda de nome e começa a trabalhar num cinema local, onde aos poucos elabora um plano de vingança.

As imagens enquadradas pelo experiente diretor de fotografia Robert Richardson apresentam-se lindas aos olhos, mas vão além de sua própria visualidade. Elas propõem um estado de percepção, transcendem, algumas delas, ao radicalismo de um questionamento – a primeira e longa sequência de abertura é a prova maior disso, logo quando a câmera movimenta-se para baixo e mostra, com extrema perícia, as almas sob o assoalho. Além disso, a iluminação quase sempre monocromática em aliança com os figurinos elegantes, que parece “dizer não” as cores vivas, proporcionam uma estética visual única. No entanto, no derradeiro episódio, o vermelho toma conta e chama para si o sinal dado pelo diretor do que estaria por vir. Um joguete de cores e narrativa incrivelmente hábeis. Seria redundante falar das referências, pois elas existem em todos os filmes deste diretor até aqui. No entanto, aqui elas fazem parte da narrativa.

Há de tudo, desde o fetiche por pés e por louras fatais, passando pela violência gráfica habitual (e conceitual, pois representam um determinado estado das coisas como são), a guerra de palavras e as gags. Há um foco, e neste Bastardos Inglórios se sustenta. Na condução das cenas, Tarantino dá show. Ora as estica para gerar tensão na platéia até onde se atinge um limite aceitável, ora as acelera, criando aqui um novo recurso em sua carreira cada vez mais experimentada. E neste filme que sintetiza muito bem sua carreira e demonstra muita maturidade artística, Tarantino reescreve até o curso da História, mas sem perder as virtudes de sua obra. Estamos sim presenciando o que de melhor o cinema nos pode ofertar.


(Inglourios Basterds, EUA/ALE, 2009)
Direção de Quentin Tarantino
Roteiro de Quentin Tarantino
Com Brad Pitt, Mélanie Laurent, Christoph Waltz, Eli Roth, Michael Fassbender, Diane Kruger, Daniel Brühl, Til Schweiger
, Mike Myers


Imagina se você comprasse um Fusca 78 e no lugar deste chegasse na sua garagem uma BMW. Pois é, Morace Park, um colecionador de bugigangas do Reino Unido comprou, pela bagatela de 3 euros, uma lata antiga no site de vendas eBay para guardar rolos de filme e, dentro dela, para delirante surpresa de Park, repousava uma bobina de negativos com o título de Charlie Chaplin in Zepped.

Depois de muito pesquisar, o cara descobriu que nem especialistas em Chaplin tinham conhecimento da película. Na última segunda feira, os dois levaram o filme para Michael Pogorzelski, membro da Academy of Motion Picture Arts and Sciences, órgão responsável pelo Oscar. “É um achado muito interessante. Um filme desconhecido e não-catalogado de Charles Chaplin”, foi o que disse Pogorzelski.

Em breve um documentário sobre o fato será produzido. É sério!

05/11/2009

Estou de olho nela

Nas imagens que aos poucos começam a aparecer, Angelina Jolie parece estar mais determinada do que nunca para comprovar sua boa fase. As fotos abaixo são das filmagens de Salt, próximo filme da musa que deve pintar nos cinemas. No filme ela é uma Agente da CIA que tem de escapar da Rússia quando é descoberta como espiã. Ah, o filme ainda tem o ótimo Chiwetel Ejiofor, mas só chega. Está para 2010.

Hmmm... Ela vem mais sexy e talentosa do que nunca, tá na cara. Espia só:




Trailer aqui ou aqui.