22/10/2009

Kill Bill 3



Findo o lançamento de Bastardos Inglórios no mundo todo, o cineasta Quentin Tarantino e a atriz Uma Thurman (Pulp Fiction) já projetam a continuação da saga da Noiva, em um bem provável Kill Bill 3. Em entrevista, Uma confirmou que já andou conversando com o diretor sobre a terceira parte da saga, mas que ainda é cedo para dar maiores detalhes sobre o longa, haja visto que Tarantino ainda trabalha na história. Recentemente o próprio Tarantino revelou que gostaria de dar mais um bom tempo de descanso para a atriz (passar mais tempo com a família) antes de submetê-la a um esforço físico tão grande.

Com essas informações à mão, os fãs de Kill Bill começam a ficar empolgados, pois, afinal, é certo que cedo ou tarde Kill Bill 3 será filmado. Pode ser o ano que vem ou em 2014, mas Tarantino e Thurman ainda irão nos dar esse prazer (novamente).

20/10/2009

2 anos no ar!

Não escrevo tantos textos quanto gostaria, mas fico satisfeito por, de alguma forma, ter colaborado com alguns leitores e com minhas opiniões. Acho que a insistência e a paixão pelo cinema foi importante para que o Tudo é Crítica chegasse neste segundo ano no ar. Agradecer (Luciano, valeu a força com o visual) é fácil, é só dizer a todos aqueles que um dia já pousaram seus dedos sobre o teclado e compartilharam comigo e com todos os visitantes do blog sua opiniões que eles são a razão pela qual ainda me motivo a escrever. Até mesmo os anônimos e os críticos - afinal destes eu não posso reclamar, o nome do blog não permite. Nos meus textos sempre procurei expor opiniões, mas sem nunca desrespeitar quem me lê. Acredito que estou sendo bem sucedido neste quesito.

Tudo isso não é querer ser presunçoso, pelo contrário, se este blog ainda existe não é por ser bom ou não o seu editor, e sim por ter a sorte de ter um público tão especial, que, não há dúvidas quanto a isso, é quem realmente ensina. Obrigado a todos!

13/10/2009

Anticristo


Para chegarmos no cinema de Lars von Trier precisamos tentar compreender a mente do autor por detrás da câmera trepidante que se apresenta diante de nossos olhares preocupados. A atenção de um espectador constante do diretor está sempre voltada para suas imagens perturbadoras, seus planos-detalhes, o contra-plano e o megalomaníaco desenvolvimento psicológico de seus personagens. Sendo assim, dentro da imaginação do diretor de Dogville, não há espaço para o vulgar e perecível, aquilo que costuma tornar a arte antagônica. Trier exercita a ideia de que há um poder superior, mas que este provém de outra ordem, convergindo com aquilo que é consenso entre a maioria dos mortais. Em Anticristo, sua última cinefilosofia, temos mais um pouco das ideias de Lars von Trier entrando em conflito, através de imagens e sons - nem sempre agradáveis.

A primeira sequência, em forma e conteúdo, pompa e circunstância, deixa claro que a metalinguagem uni-se ao objetivo artístico-visual do diretor. É assim que Trier inaugura seu filme, com imagens e sons tomando conta da narrativa e compondo seu próprio universo sensorial. Enquanto um casal (Ele e Ela) faz amor (começa no chuveiro, termina na cama) furtivamente ao som de música sacra e bronzeado pelo preto e branco da fotografia, o filho destes começa a escalar uma mesa que dá para a janela do quarto, após ver, sem muito compreender, seus “criadores” em pleno ato sexual. Em step printing, vemos o menino caindo pela janela, enquanto seus pais regozijam-se com o auge do orgasmo. Não há dúvida, este é um filme de Lars von Trier.

Após o velório do menino, somos levados a uma cabana no meio de uma floresta que, não por acaso, Trier chamou de Éden. Lá, Ele e Ela buscarão expulsar a depressão (sim, Ela é uma escritora, assim como Trier) dela pelo sentimento de culpa. Em luto e além da morte do herdeiro, o casal passará a enfrentar a crise que já pairava sobre a relação. Infelizmente, para Ele (Willem Dafoe) e para Ela (Charlotte Gainsbourg), a natureza assume controle da situação, e já não se sabe (os personagens e nós) mais o que vem deste ou de outro plano. Precisamos nos relacionar com os personagens e com o argumento do diretor e roteirista dinamarquês. Isso não é uma tarefa fácil, tampouco agradável se buscarmos respostas solúveis dentro de Anticristo, pois o diretor nos oferece tudo, menos respostas.

É o terror interno de seus personagens que o diretor quer investigar, e o visual quase monocromático, que parece querer expulsar as cores, enaltece tal registro, que ainda ganha contornos über realistas com as interpretações aguerridas de seus atores, em especial de Gainsbourg. A intenção do diretor é captar as perversidades do lado obscuro da psique humana, seus contornos e suas animosidades. É um filme extremamente simbólico (talvez o mais metalinguístico do diretor), que deixa nas mãos das imagens gélidas a tarefa de imprimir as sensações. E as cenas são essenciais à estrutura do filme, e podem ser tudo, menos gratuitas. Até mesmo os planos-detalhes da mutilação vaginal e da ejaculação de sangue do pênis do personagem de Dafoe. Há uma significação em tudo isso, que será encarada de formas diferentes por cada espectador.

É justamente este embate entre diretor-espectador que torna a experiência incomum. Os questionamentos são relevantes e Trier dá esse tempo para o público refletir, mostrando sinal de respeito e consciência fílmica. No primeiro ato, o sexo estilizado é filtrado pela trilha da ária Lascia qu’Io Pianga, da ópera Rinaldo, de Handel. O sentido da música é a transparência do gozo extremo dos sentidos, enquanto paralelamente uma morte se aproxima. É mais uma prova da preocupação que Trier desenvolveu enquanto esteve depressivo (2005 e 2009) com relação as suas intenções.

O diretor atinge algo que nos surge como uma religião pagã e um estudo do homem a da natureza e da convivência entre ambos. A complexidade dos planos sugerem muito, mas explicam pouco. Em certo momento, evidenciando esta visão religiosa, Ela fala: “A natureza é a igreja de Satã”. Outros momentos que contribuem para supracitar os simbolismos da relação homem-mulher-natureza são as próprias cenas de sexo. O que no começo apresenta-se com amor e delicadeza (com direito a um plano-detalhe de uma penetração) aproxima-se do sadomasoquismo quanto mais próximo do final, justamente quando as forças da natureza parecem mais presentes no subconsciente do casal.

Trier particiona a estrutura narrativa de seu filme aos moldes de Dogville, com prólogo, quatros capítulos e epílogo (Dor, Luto, Desespero e Os Três Mendigos). Todos essenciais e coerentes. Apesar de o diretor ainda não ter se livrado do seu timing irregular, Anticristo atesta certa maturidade e preocupação do diretor com o envolvimento de suas imagens com seus personagens e argumento. É, assim, e não por caso,  como disse o crítico Luiz Zanin, como o livro de mesmo nome de Nietzsche (um dos maiores críticos do cristianismo), uma obra para espíritos livres.


(Antichrist, Dinamarca/Suiça/Alemanha, 2009)
Direção de Lars von Trier
Roteiro de Lars von Trier
Com Willem Dafoe, Charlotte Gainsbourg


Quando Charlie Kaufman estreou no cinema, no excelente ano de 1999 (cinematograficamente falando), por ocasião da estreia de Quero Ser John Malkovich, de Spike Jonze, no qual assinou o roteiro, ninguém poderia imaginar que Kaufman viria se tornar um dos mais criativos e inteligentes escritores do cinema contemporâneo. Alguns anos depois mais alguns outros trabalhos (Adaptação, Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças, Confissões de Uma Mente Perigosa) tão interessantes quanto o primeiro colocaram o nome do roteirista no roll dos grandes autores do cinema. Com Sinédoque, Nova Yorque, o diretor parece unificar todo seu projeto autoral em sua segunda estreia no cinema, desta vez como diretor.

Como roteirista, Kaufman não precisa provar mais nada para ninguém. Através de suas escrituras anteriores, demonstrou ser dono de um estilo invertebrado, que parte do simulacro rumo ao poderio efetivo da narrativa hiperfantástica. Kaufman investiga a mente a humana, estuda as possibilidades de a arte dar conta da vida e da morte. O escopo de Sinédoque é um pouco de tudo que o agora diretor Charlie Kaufman já fez em seus trabalhos anteriores. Há uma exploração (e não repetição) das neuroses de seus últimos roteiros, mas Kaufman parte para a variação do tema, indo mais afundo em Sinédoque. Aqui o diretor criou uma estrutura diferente, construindo longas elipses pode explorar a trajetória de um homem que, assim como todos, torna-se vítima do tempo e de suas consequências. Sendo o personagem um homem perturbado pelo seu auto-conhecimento insuficiente, Kaufman invade a mente dele e do espectador.

Mas não é só isso. O diretor ainda levanta outras questões através de seu protagonista, o diretor teatral Caden Cotard, como, por exemplo, qual o papel da arte na vida? Para quê ela serve? E o homem, qual o papel dele nisso tudo? Curiosamente, algumas destas questões não são respondidas pelo diretor, que quer justamente bagunçar as ideias do espectador. Infelizmente, em alguns momentos fica realmente complicado de compreender o real significado de certos planos, que apesar dos diálogos fortificados e inteligentes, literalmente confundem o público, que muito vê, mas pouco entende. É um filme difícil não só pelo emaranhado de reviravoltas e a quantidade de personagens dentro de personagens, mas pela jogatina eclética de argumentos que ultrapassam os limites da criatividade do autor, robotizando a história e tornado-a parte de um conjunto de excentricidades.

Aliás, a história que Kaufman nos conta é a do dramaturgo Caden Cotard (Philip Seymour Hoffman). Caden é casado com Adele (Catherine Keener), com que tem uma filha, Olive. Na primeira cena em que a família aparece disputando o mesmo plano, percebemos que aquilo que vemos não é uma relação saudável – e, também, notamos que Caden é um homem complicado. Alguns dias se passam e Adele vai para Berlin para uma exposição com a filha. Caden fica. Adele não volta mais. A partir daqui longas elipses temporais construirão a histórias e conduziram o espectador junto da mente confusa de Caden. A questão é: você está preparado para isso?

A análise da estrutura narrativa de Sinédoque, Nova Yorque é complexa, e tentar mapear a natureza linguística dos diálogos intertextuais desta produção audaciosa de Charlie Kaufman pode ser uma tarefa árdua – mas não intragável. A saída pode ser tentar embarcar na viagem do protagonista sem se preocupar com a coerência dos fatos e buscar por algum significado naquilo tudo. Em virtude de um roteiro inspirado, Kaufman estende seu argumento para além da imaginação de qualquer mortal senão o próprio autor. O centro gravitacional do filme (e da peça) de Kaufman é tentar estabelecer o vetor dessa influência da vida sobra a arte. Para tanto, o diretor engloba grandes transições temporais, com elipses de muitos anos se passando em um piscar de olhos. Provavelmente a ideia do Kaufman roteirista era filosofar justamente sobre o poder do tempo sobre nossas vidas e como ele pode modificar muitas coisas, mas o Kaufman diretor trata estas transições com pouco respeito a narrativa fílmica, pois na maiorias das elipses (e elas não são poucas) a trucagem é muito brusca e espectador não terá tempo para assimilar a mudança, afinal ainda estará atarefado tentando ligar o ato anterior.

Aliás, o grande responsável por conduzir as emoções e as ideias do público é Philip Seymour Hoffman, um dos melhores intérpretes de sua geração – e que ainda não errou no cinema. É de Hoffman a tarefa de tentar dar vida a Caden Cotard, humanizá-lo. E novamente o oscarizado ator não decepciona. Hoffman se entrega ao personagem até o fundo de sua alma, buscando em seu próprio ser a emoção genuína para emprestar ao personagem. Sim, Philip Seymour Hoffman é um artista.

Enquanto roteirista, Kaufman continua a desenvolver seu projeto de cinema. Com seu olhar arguto ainda consegue colocar o espectador para trabalhar com a massa cinzenta e, principalmente, com a razão do próprio eu interior. No entanto, enquanto tem seu nome escrito na cadeira de diretor carece das lições básicas deixadas por alguns dos grandes mestres da arte. Não fosse pelo criativo texto e pela avassaladora interpretação de Philip Seymour Hoffman, Sinédoque, Nova Yorque poderia ser apenas mais um no limbo cinematográfico. Mas não há como negar o talento do autor que emana de Kaufman.

(Synecdoche, EUA, 2008)
Direção de Charlie Kaufman
Roteiro de Charlie Kaufman
Com Philip Seymour Hoffman, Michelle Williams, Samantha Morton, Jennifer Jason Leigh, Catherine Keener, Emily Watson

05/10/2009

Críticas rápidas

Anjos e Demônios

Se a intenção de Ron Howard era elevar o nível alcançado por O Código da Vinci, missão cumprida. Infelizmente, apenas isso não exime Anjos e Demônios de alguns pecados, que assim como a aventura anterior de Robert Langdon no cinema foi fiel demais ao livro no qual se baseia, pegando deste os vícios da literatura moderna. Apesar disso, diante de tanta confusão, consegue-se abstrair algumas sequências interessantes e boas e intrincadas perseguições nas ruas de Roma (a real e a construída em set). Nota: 6


Bruno

Mesmo já tendo feito um filme de grande repercussão internacional, o ator, apresentador e comediante Sacha Baron Cohen embarca novamente na brincadeira do filme-documentário-pegadinha. Quando é real, gargalhamos impiedosamente. Quando é combinado, também. Cohen está fora de série como Bruno, um austríaco gay que viaja para os EUA – para sacanear todo mundo. Ele vai lá e diz sem medo, sem pensar nas consequências dos conservadores de plantão – que devem ter dado muita risada. Nota: 8


Frida

Ao retratar com cuidado a conturbada vida de Frida Kahlo, a diretora Julie Taymor concebeu um filme sensível, mas que tropeça, algumas vezes, no perigoso viés da superficialidade. Não obstante, Salma Hayek interpreta a pintora mexicana com garra e Alfred Molina faz o mesmo como Diego Rivera, marido de Frida e também famoso pintor. Destaque para a pequena, porém importante participação de Geoffrey Rush como Trotsky. Nota: 6.5


Inimigo Público nº 1 - Instinto de Morte

Jean-François Richet vem demonstrando talento para construir thrilers de ação. Foi assim com Assalto à 13º DP e é assim com este Inimigo Público nº 1. Além de conduzir muito bem a tensão das cenas mais movimentadas, Richet mostra evolução no que diz respeito a construção do drama central de sua história e melhora o seu apetite visual. Além disso, aqui ainda temos a inspiração de Vincent Cassel, que se entrega de corpo e alma a seu personagem, o famoso assaltante de bancos francês Jacques Mésrine. Nota: 7.5


Operação Valquíria

Ao contar a história do coronel Claus von Stauffenberg, o peão por trás da Operação Valquíria do título, que pretendia culminar com a vida do líder nazista Adolph Hitler, Bryan Singer invade sua casa, nos apresenta sua família, mas nunca nos apresenta ao verdadeiro Stauffenberg. Ok, o filme não é sobre o coronel alemão, mas adotar um ponto de vista canalha, que em nenhum momento cita que Stauffenberg ajudou a invadir a Polônia – o que culminou num dos maiores massacres ao ser humano da história. Ademais, a corpulenta e eficiente direção de arte, combinada com o bom elenco e o bom jeito de Singer ao filmar sequências tensas, conduz uma experiência interessante. Nota: 6


O Sequestro do Metrô 123

A chamada O Sequestro do Metrô 123 anuncia um filme de suspense. Infelizmente, o que vemos na tela é um grande cano por onde escorre qualquer tentativa de deixar o espectador envolto em uma trama sobre um sequestro. Tony Scott dirige a maior bagunça da carreira, ao colocar John Travolta e Denzel Washington juntos nessa trilha maluca de incompatibilidades narrativas. Os dois se esforçam, mas apesar de confirmarem que são grandes atores na última cena, não conseguem dar maior densidade na trama pobre orquestrada por Tony Scott. Nota: 2.5