31/07/2009

Críticas rápidas

Falsa Loura

Alternando entre o ritmo fílmico europeu e o mais nativista brasileiro, o cineasta Carlos Reichenbach fez um filme coeso e inteligente, que ultrapassa o simplório gosto atual pela violência e alcança um nível classicista com elegância e propriedade. A jovem, estreante e linda Rosanne Mulholland vive a falsa loura do título com perfeição, entregando-se a personagem até o fundo de sua alma. Um ótimo filme que deve chegar as mãos do público menos interessado no nosso cinema para quebrar (pre) conceitos. Nota: 7.5


O Exterminador do Futuro: A Salvação

Apesar da competente e bem desenhada forma de Arnold Schwarzenegger remeter ao fã da franquia aquele espírito nostálgico, faltou estofo para Terminator 4 conquistar o seu espaço dentro da cine-série. Christian Bale bem que tentou, mas com um personagem sem graça acabou ofuscado pelo carisma e pela simpatia do emergente Sam Nortingham, que, ainda assim, pouco pode fazer com o filme. Espera-se que McG trabalha melhor seus argumentos para um possível quinto filme, pois aguentar tanta confusão sem nexo não é para qualquer um. Nota: 3.5


O Casamento de Rachel

Jonathan Demme volta a dirigir um filme dramático com competência, mas não consegue sair do simples retrato de uma família perturbada. Na verdade, o desenvolvimento dos personagens é eficiente (e muito disso se deve a grande performance do conjunto principal, com destaque óbvio para Anne Hathaway) mas nas cenas mais pesadas, onde a carga dramática se faz presente, nota-se a vontade de fazer chorar e falta aquilo que Tudo é Crítica gosta de chamar de emoção genuína. Apesar disso, O Casamento de Rachel é um filme interessante e bem coordenado por Demme. Nota: 6.5


Dúvida

John Patrick Shanley fez um filme teatral, com argumento inteligente e elenco de peso, a bem da verdade é que resultou num filme elegante e discursivo. Meryl Streep, Philip Seymour Hoffman, Amy Adams e Viola Davis brilham a frente de uma grande polêmica e elaboram personagens incrivelmente realistas, garantindo a verossimilhança da trama. O filme perde um pouco pelo final "glorioso", de mensagem forçada, o que tira um pouco do humanismo imperfeito do homem. Apesar disso, Dúvida apresenta uma ótima trama sobre um tema sempre atual. Destaque para a cena principal do filme, quando Hoffman, Streep e Adams duelam numa longa e excepcional sequência de interpretação. Nota: 8


Presságio

Depois de abandonar de uma vez por todas o senso do ridículo em Perigo em Bangkok, Nicolas Cage (o sobrinho pobre de Coppola) protagoniza mais uma história de premissa interessante que afunda na própria etmologia. O argumento inicial já gerou bons filmes, mas filmes estes que sustentaram seu argumento até o final e não precisaram de um desfecho tão incoerente com o que vinha sendo mostrado durante toda a metragem. Mais sorte na próxima, Nic. Nota: 3


The Spirit

Formulaico e previsível (algumas vezes até exagerado), The Spirit não consegue repetir o sucesso de Sin City, mesmo que dele tenha retirado toda sua estrutura e estética visual. Há bons momentos - e um Samuel L. Jackson esforçado - e mulheres bonitas, mas isso não é suficiente para deixar o filme, no mínimo, atrativo, pois sua trama beira o ridículo e os dotes fílmicos de Frank Miller ainda precisam ser muito trabalhados. Nota: 5



Multidimensionalidade pode conferir o exato adjetivo em descrição para A Fraternidade é Vermelha, terceiro e último filme sobre os ideais da Revolução Francesa dirigido pelo mago da imagem Krzysztof Kieslowski. Se nos anteriores (A Liberdade é Azul e A Igualdade é Branca) o diretor tratava os personagens com meticulosidade impecável, aqui temos a própria personificação do ser humano diante das câmeras. Um filme poderoso e mensageiro – mas sem nunca ser frio e ditador – que conquista (pela terceira vez na trilogia, com o perdão da redundância) rapidamente o espectador pela sua simplicidade e voz ativa, falando, em forma e conteúdo, diretamente ao coração do público. De fato, a incursão ao expressionismo (em menor grau que nas outras cores, mas presente) e o sentimento em candura com linguagens metalinguísticas proporciona maior identificação com o público, que se sente envolvido com a história que esta sendo contada na tela – história essa que em nada perde para as anteriores.

O clima soturno é mantido, a exemplos dos primeiros dois filmes, mas a ambientalização psicológica alcança um nível jamais atingido pelo diretor nas outras duas cores, tamanho é o envolvimento entre as vertentes personagem e espectador. O roteiro de Kieslowski destaca-se novamente ao elaborar uma trama inteligente e coesa para com a proposta maior, mas sem nunca perder o foco narrativo – e filosófico. A estrutura da construção dos personagens continua intacta e, eficiente, trabalha com o psicológico do espectador ao revelar as peculiaridades de cada um, desenvolvendo um vínculo com os dois filmes anteriores. E é justamente esta linha tênue, este elo de ligação, que torna a experiência ainda mais recompensadora. A sensibilidade de Kieslowski favorece, pois o diretor conhecia a engrenagem da maquinaria cinematográfica que compreende som e imagem com precisão cirúrgica. O resultado são quadros magníficos e cenas lindas.

Quando Valentine (Irène Jacob) atropela um cachorro que tem o endereço do dono na coleira sua vida muda para sempre. Afinal, é assim que ela conhece a pessoa que iria alterar a trilha de sua vida: um juiz aposentado que vive espionando as conversas telefônicas de seus vizinhos. Por trás desse comportamento, esconde-se um homem que entra na intimidade das pessoas até saber o desenrolar de seus destinos. Apesar da repulsa que Valentine sente no início pela atitude do juiz, acaba se formando uma amizade. Aos poucos Valentine percebe que a humanidade do juiz parece estar acima dos mistérios pertencentes à vida complicada que ele leva, e passa a criar um elo muito mais sincero e profundo do que ela jamais imaginara.

Na verdade, estamos falando de um filme que faz bem aos olhos, aos ouvidos e ao coração. Aliás, entre imagens e enquadramentos é que o diretor de fotografia Piotr Sobocinski anota sua marca com quadros belíssimos. Uma condução sábia e sensível através de closes e grande-angulares que transmitem emoções genuínas e todas as suas sensações. Tudo isso acontece, é claro, porque os personagens envolvem, cativam e conquistam o espectador muito facilmente. Mérito disso tudo, à luz da lógica, vai para Kieslowski, que como diretor e roteirista foi brilhante em todos os aspectos funcionais, e para Irène Jacob, que construiu sua personagem com garra e entregou um desempenho impecável.

Pois bem, ao passo que o diretor desenvolve a história, notamos que gradativamente nos sentimos envolvidos com ela. Quando estamos no segundo ato, não queremos mais sair da frente da tela, tamanha a beleza e simplicidade deste maravilhoso estudo de personagem. Com notas graves e arrojadas, a trilha sonora lírica confere ainda mais sensibilidade e elegância ao filme. Como se não bastasse, a edição é precisa ao nunca cortar o ambiente emocional no meio, sempre dando o espaço necessário para o envolvimento do ato com o público nas cenas mais dramáticas.

Ao fim da sessão fica a sensação de que somos tudo aquilo que não sabemos que somos. Vivemos, muitas vezes, ilusões vagais e situações inúteis simplesmente por não ter a sabedoria necessária para enfrentar determinada situação. É bem verdade que um país se constroi com homens e livros, como dizia o poeta, mas não custa tentar aprender algo com o cinema, e neste caso A Trilogia das Cores tem muito para ensinar sobre a vida.

(Trois Couleurs: Rouge, França/Polônia/Suiça, 1994)
Direção de Krzysztof Kieslowski
Com Irène Jacob, Jean-Louis Trintignant, Frédérique Feder, Jean-Pierre Lorit, Samuel Le Bihan




Sobre ideais da Revolução Francesa, as cores da bandeira e sobre pessoas comuns, é disso que se trata a Trilogia das Cores. Um homem desesperado, desiludido pelos caminhos perigosos que o destino o fez enfrentar. Antes disso, um homem comum, com alegrias e tristezas, dores e sentimentos. Talvez sobre decálogos (pegando aqui emprestado um título de um filme de Kieslowski) e relações amorosas e extra-conjugais. Um pouco também sobre as mazelas da sociedade banida e censurada pelos corruptores que dominam os palcos de discursos e promessas. Com inteligência, o diretor polonês Krzysztof Kieslowski desenvolve a segunda parte de sua cine-série sobre as três cores da bandeira francesa, país que recebeu e educou seu conhecimento cinematográfico.

Aqui novamente temos um roteiro dedicado inteiramente a construção de personagens, preocupado em desenvolver naturalmente seu foco narrativo e fílmico. Dentro do filme os atores precisam representar a cor branca, que na estrutura narrativa criada por Kieslowski simboliza a liberdade do título (requisito utilizado em todos os filmes da trilogia). Coube a Zbigniew Zamachowski e a Julie Delpy a tarefa árdua da representação em perspectiva - e ambos cumprem com louvor seus trabalhos. Zamachowski alterna entre a imbecilidade (um pouco exagerada no início, deixando transparecer que o personagem precisava começar a história feito um quase idiota para poder ser "transformado" durante o filme) e egocêntrismo. Um bom trabalho de interpretação que melhora a cada sequência. Já Julie Delpy, bonita e charmosa, mostra competência ao construir uma personagem ativa e misteriosa sem nunca perder elegância e o carisma.

Aqui, temos um olhar irônico sobre o vazio da vida e como ele ser profundamente afetado pelo amor. A esposa de Karol (Zamachowski) pede o divórcio e o trata com crueldade, pois ele está impotente. Sem dinheiro e sem ninguém, Karol, que é imigrante na França, retorna à Polônia. Aos poucos ele vai ganhando dinheiro e planeja uma doce vingança. Mesmo amando loucamente sua mulher (Delpy), Karol, agora rico e poderoso, elabora uma audaciosa teia vingativa contra sua ex-mulher.

A ambientação psicológica ganha adereços impactantes aqui, pois o diretor e roteirista cria novas perspectivas para os personagens, deixando a construção dos mesmos se dar exatamente atráves de sequências emocionais, onde sentimentos genuínos afloram e mancham a tela com sua beleza - ou não. A câmera de Kieslowski estuda a ação ativa e posiciona-se frontalmente com closes, arrancando o máximo da emoção dos personagens, que estão ainda mais humanos que em A Liberdade é Azul. Aqui, a exemplo do primeiro filme, os personagens, apoiados em grandes performances, ganham o espectador facilmente através das lentes cautelososas e sensíveis de Kieslowski. Apoiando-se nas fortes interpretações do elenco, o diretor transmite sua mensagem e cruza os elementos dos três filmes - o que fica um pouco mais claro no final do terceiro filme.

A fotografia remete ao clássico Danton, de outro cineasta polonês, Andrej Wajda, mas não perde sua originalidade. Aliás, é com propriedade que Edward Klosinski ambientaliza a história através de movimentos delicados e precisos, além de nunca deixar sua câmera aparecer mais que o objeto principal. Um belo exercício cinematográfico que pode render algumas discussões acerca dos ideais colocados à prova por Kieslowski. Uma aula de como se fazer cinema apaixonado, quente e excitante (não na vulgaridade da palavra, mas numa acepção mais leve), desvendando mistérios do ser humano que a muito agradam os apreciadores da alma espiritual. Um filme completo, que dá continuidade a um trabalho maravilhoso, mas que ainda não estava terminado.

(Trois Couleurs: Blanc, França, Polônia, Suiça, 1994) Direção de Krzysztof Kieslowski. Com Zbigniew Zamachowski, Julie Delpy, Janusz Gajos, Jerzy Stuhr

18/07/2009

A Liberdade é Azul

Sentimentos reais, expressões faciais auto-declarativas, visual expressionista delirante, mais sentimentos reais, dor, ódio, amor, solidão, tristeza, felicidade, sonho, sexo, morte, vida, cor, azul, emoções genuínas e muito mais sentimentos extremamente profundos. É pouco, claro, mas talvez estes adjetivos possam traduzir um pouco do que o diretor polonês Krzysztof Kieslowski mostrou em A Liberdade é Azul, lindo filme que deu início a trilogia das cores, sequência de filmes do diretor sobre os ideais da Revolução Francesa e, claro, as cores. É um filme elegante, didático, filosófico, mas o mais importante (e provavelmente o verdadeiro objetivo de Kieslowski) é o sentimento, a emoção genuína - pela dor ou pela alegria.

Pode ser sufocante e angustiante, duro e cru, mas ao mesmo tempo é profundo e realista do início ao fim. O sentimento em candura, em forma e conteúdo, apoiado pela narrativa simples e metalinguística deixa o espectador extasiado, perplexo com a história que esta sendo contada na tela. E se o roteiro já possui elementos suficientes para fisgar o público, Krzysztof organiza as cenas de tal forma que algumas delas martelam na cabeça pensante do espectador que busca pelo profundo e belo sentimento cataclísmico - pode-se notar certa semelhança narrativa (e talvez um pouco pela edição seca e de poucos cortes e os enquadramentos incomuns) com outro grande filme, Je Vous Salue, Marie, de outro mestre, Jean-Luc Godard.

A trama gira em torno de Julie (Juliette Binoche, brilhante), modelo famosa que perde a filha e o marido em um acidente de carro, em que ela acaba sobrevivendo (pelo menos na superfície). Julie passa a contar com o apoio de um amigo de seu finado marido, que fora um respeitado compositor erudito antes do trágico acidente. No hospital, Julie tenta o suicídio. Em casa, renúncia à vida. Aos poucos passa a realinhar seus pensamentos e remontar seu lado sentimental que fora estraçalhado pelas chamas do passado recente. Em meio a um clima soturno, Julie passa enfrentar seus medos e refletir sobre o que é realmente importante na vida.

A personagem principal, que nas feições humanas e delicadas de Juliette Binoche se transforma numa mulher incrivelmente empática perante o público, fazendo o espectador sorrir e chorar quando vemos sua face refletir o seu interior. Momentos lindos como estes, incendiados pelas lentes ultra-suaves de Kieslowski, é que fazem de um filme uma experiência sincera e puramente recompensadora, para dizer o mínimo, e isso A Liberdade é Azul possui em grande quantidade. Falamos de um filme que fala de sentimentos humanos, o esplêndido e magnífico comportamento humano. O diretor e roteirista criou uma fábula real sobre a dor da perda e o poder da redenção. Um belíssimo filme, de um diretor que dominava completamente estética e narrativa, sendo assim capaz de entregar obras e quadros fantásticos, como os criados aqui.

A técnica do filme também é irretocável, desde o mínimo detalhe coreografado até os grandes arrochos da fotografia azulada. A encenação funciona perfeitamente porque o diretor de fotografia Slavomir Idziak entendia do riscado, compreendeu a proposta do roteiro e desenhou, assim, um filme visualmente perfeito, em ângulo e enquadramento, cores e perspectivas. A visão por trás daquelas lentes é dolorosa, triste e emocionante, por isso sincera e realista, pois atinge o espectador ao dialogar com sua alma e coração.

O expressionismo também se faz presente, e neste caso podemos lembrar O Anjo Azul, de Josef Von Sternberg, um dos maiores representantes da vertente. A ambientação, os figurinos, o movimento em cena, tudo conspira para a produção efetiva que o filme causaria no espectador. A sensação é maravilhosa ao final, uma experiência cinematográfica extremamente recompensadora e singela. Um filme que cativa, emociona (e por vezes melancólico), mas sem nunca apelar para o melodrama fértil e comum.

(Trois couleurs: Bleu, FRA/POL/SUI, 1993) Direção de Krzysztof Kieslowski. Com: Juliette Binoche, Hélène Vincent, Benoît Régent, Florence Pernel, Charlotte Véry

12/07/2009

Hair


"A Liberdade é colorida!"


Por ter se tornado um marco de uma geração inteira e um ícone da contra-cultura, Hair, musical colorido e dançante de Milos Forman acabou introduzindo alguns paradigmas para os musicais que viriam logo em seguida. A exemplo de Um Estranho no Ninho, este filme sorridente e saltitante do diretor tcheco é um representante óbvio do anarquismo e da rebeldia excitante que marcou a década de 60. Além disso, é a síntese do inconformismo, característica recorrente no cinema elegante de Milos Forman. As músicas, o ritmo, os diálogos, tudo comporta um argumento simples e inteligente, ajudando a compor um filme coeso e dançante, mas sem nunca deixar de ser bem argumentado.

Claude (John Savage), um jovem do Oklahoma que foi recrutado para a guerra do Vietnã, é "adotado" em Nova York por um grupo de hippies comandados por Berger (Treat Williams), que ,como seus amigos, tem conceitos nada convencionais sobre o comportamento social e tenta convencê-lo dos absurdos da atual sociedade. Lá, Claude também se apaixona por Sheila (Beverly D'Angelo), uma jovem proveniente de uma rica família. O líder do grupo, Berger, carrega consigo o símbolo do inconformismo, mas não deixa de ser ele mesmo o responsável pelo “sucesso” da equipe, convocando e incentivando seus comandados sempre com destreza e respeito, ganhando, assim, a confiança de todos.

Em meio a um clima absolutamente feliz, Milos Forman descreve seus personagens sempre de acordo com o andamento da história. No começo, que compreende a fase de construção dos personagens, o diretor utiliza sempre grandes angulares, para salientar a alegria da vida viajante de seus personagens. Sempre com músicas dançantes e elétricas, para reforçar ainda mais esta vertente. No entanto, conforme o desenvolvimento dos personagens centrais vai ficando mais complexo, o diretor e o roteirista Michael Weller precisam contar com o apoio de uma trilha sonora coerente com história, que demonstre, principalmente, que nem tudo são flores e que a vida pode ser linda mas também pode ser dura. E é justamente isso que podemos ver e ouvir em Hair, uma perfeita sincronia entre música e história, onde nada é gratuito e tudo se encaixa naturalmente.

Quando toca Age of Aquarious e Hair se transforma em pura poesia visual, o diretor atinge seu melhor momento de condução narrativa, ângulo e enquadramento. Via de regra, a propriedade com que Milos Forman filma as cenas de dança deixa claro que é um dos mais competentes diretores musicais das últimas três decadas. E não estamos diante de um filme how-to-do, que ensina como fazer, é direto ao ponto, com elegância e destreza clássica. O cara entende do riscado e demonstra suas habilidades tecnicas e teóricas neste filme coeso e inteligente. Além disso, o cineasta domina plenamente seu elenco, arrancando atuações formidáveis de Treat Williams e John Savage - ambos em desempenhos incrivelmente sinceros e incorporados com a ideia do personagem. Aliás, Treat fez em Hair o que nunca mais faria em sua carreira. John Savage se entrega com garra a Claude e presenteia o espectador com uma performance silenciosa e realista.

A lamentar apenas a pequena argumentação sobre a verdadeira cultura hippie, com mais foco e mais questões sobre a liberdade e o preconceito. Afora isso, Hair possui todos os ingredientes de um grande musical, com uma ótima track list e belíssimas paisagens coloridas e dançantes. Tudo coordenado com maestria por Forman, que em momento algum deixa seu filme perder ritmo ou foco narrativo. É a prova do cinema feliz e do entretenimento cult que o cinema pode proporcionar. O final corajoso e emocionante encerra perfeitamente mais um bonito trabalho de Milos Forman.


06/07/2009

Wake up!

Como vocês devem ter percebido, o blog já não é atualizado com a frequência de outrora (precisos "dia sim dia não", sempre às 08:00 da matina). O discurso seria o mesmo de todos os ocupados, então irei poupá-los. Oficialmente, o blog retornará suas atividades "normalmente" a partir da próxima sexta-feira, quando o ritmo de postagens voltará a ser como era antes do editor se atarefar demasiado. Para o bem, neste pequeno hiato que segurou as postagens do blog, vieram algumas ideias.

Se vocês olharem ao lado direito da tela, verão que surgiu uma nova caixa de texto no blog, trata-se de um chat rápido onde vocês poderam falar qualquer coisa que der na telha. Vale até dizer somente oi quando não estiver muito "afim" de comentar os referidos posts. Vai ser legal, se vocês participarem, então espero que gostem.

Teremos também uma nova seção de pequenas análises urbanas, onde Tudo é Crítica, periodicamente (sem dia único e obrigatório), falará sobre, sei lá, qualquer coisa, menos o que estiver na moda.