"Isso, Jenkins, em ritmo de Carnaval"Logo nos primeiros minutos já podemos notar que a abordagem definida pelo diretor e roteirista Thomas McCarthy focará diretamente em um personagem: o professor universitário Walter Vale. Walter poderia facilmente ser a definição que falta no dicionário para a palavra solitário. O professor de 62 anos vive em função de uma vida de mentiras. É um homem consumido pela sua própria vida, e não encontra mais motivos para continuar "lutando" contra ela. Quando Walter é encarregado de realizar uma conferência em Nova York, sua vida ganha um gás. Chegando ao seu apartamento, ele encontra um casal de imigrantes morando por lá, Tarek e Zainab. O casal não tem para onde ir, por isso Walter acaba deixando eles ficarem em seu apartamento até encontrarem um lugar.
Conforme os dias se passam, Walter e o casal vão se tornando amigos. Os sentimentos crescem mutuamente e quando Walter percebe já está aprendendo a tocar um tambor africano, com Tarek como seu professor. Deve-se dizer que, antes de chegar a Nova York, Walter tentava aprender piano, mas não tinha talento algum, segundo palavras de sua professora particular. Quando se dá conta, Walter já está tocando como se fizesse o há anos, o que acaba deixando Tarek muito feliz. A receita montada pelo roteiro de McCarthy tem grandes sacadas e momentos comuns que o aproximam de roteiros cansados. Repare como o McCarthy utiliza o piano e o tambor para indicar a personalidade e o momento vivido pelo personagem de Richard Jenkins. Aliás, a própria fotografia exerce função importante neste quesito, afundando o personagem num clima de solidão no início, para ir clareando sua imagem com o desenrolar da história.
Outra sacada do diretor foi a escolha do protagonista. Richard Jenkins (indicado ao Oscar por seu papel) não é nenhuma estrela e isso ajudou a tornar seu personagem mais real, aproximando-o de um homem comum. O que encanta em sua performance é justamente essa simplicidade que o ator empresta para o personagem, garantindo a empatia do público rapidamente. E Jenkins também mostra o grande ator que é quando transmite todos os sentimentos do personagem apenas com expressões, utilizando um artifício complicado de forma brilhante.
Mas O Visitante não é só Jenkins. Haaz Sleiman, que faz Tarek, é simples e eficiente, assim como Danai Gurira, que vive Zainab. Mas o destaque maior fica por conta da excelente atriz Hiam Abbass, que faz a mãe de Tarek. Abbass, que já tinha realizado um excelente trabalho em Paradise Now, agora volta com força total em um papel impecável onde ela molda uma personagem sensacional, deixando evidente que é uma atriz que ainda precisa ser "descoberta" pelos grandes diretores. No final, O Visitante quebra a fórmula narrativa, mas a construção da mesma para chegar até aqui não abriu mão da velha estrutura: apresentação do protagonista/conflito/se dando bem/confusão. Ainda assim, McCarthy escapa da redenção, deixando o final aberto e ambíguo falar por si. O resultado é um filme autoral, com elenco muito bem dirigido e uma história simples, mas que conquista justamente por isso.
Direção: Thomas McCarthy
Elenco: Richard Jenkins, Haaz Sleiman, Danai Jekesai Gurira, Hiam Abbass















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