"Gu-gu- dá-dá?"

O que seria necessário para construir uma narrativa que rompesse - e com folga - a "barreira" dos 120 minutos de duração e mesmo assim segurasse o espectador grudado na poltrona durante toda a projeção contando uma fábula fantástica que mostra a história de um homem que nasce velho e vira criança? Para David Fincher, toneladas de CGI, maquiagem abundante e cuidado técnico com os efeitos visuais, além, é claro, de uma longa passagem de tempo, cruzando a vida do protagonista com fatos históricos reais, basta. O Curioso Caso de Benjamin Button, novo filme do diretor de Seven e Clube da Luta, trabalha com estes temas e efeitos para elaborar um filme complexo sobre o tempo.

Baseado no conto do cronista americano F. Scott Fitzgerald que, via de regra, foi inspirado pela frase célebre de Mark Twain, que dizia: "A vida seria infinitamente mais feliz se pudéssemos nascer aos 80 anos e gradualmente chegar aos 18", O Curioso Caso de Benjamin Button conta a história do personagem-título, que nasce com 86 anos e vive "ao contrário". Brad Pitt, que vive o protagonista com propriedade, entregando uma atuação segura e discreta (comprovando sua evolução como ator), exibindo seus sentimentos apenas com gestos e olhares, devido ao seu curioso caso. O ator, na verdade, interpreta um homem solitário e, portanto, extremamente observador, tendo que trabalhar - e bastante - com aquilo que Hollywood chama de "alma do personagem". Brad Pitt não decepciona. Cabe um destaque para Taraji P. Henson (mãe adotiva de Benjamin, Queenie), vigorosa e bem-humorada.

Alma, aliás, é o que compõe a personagem de Cate Blanchett. Daisy é uma mulher absurdamente sensível e encantadora, quando ela entra em cena (depois de mais de uma hora de projeção supostamente deitada numa cama) o filme ganha versatilidade. Cate desfila seu talento enquanto busca transmitir a angústia da personagem, que assiste seu amante rejuvenescer ao passo que ela envelhece. Daisy é dançarina. Benjamin adora vê-la dançar. Ela ganha rugas. Ele ganha acne. Ela não pode com o tempo. Nem ele.

A maneira como Fincher e o roteirista Eric Roth carregam a narrativa mostra-se muito eficiente nos distantes primeiro e último ato. No começo, enquanto o roteiro explica através de um diário (artifício bastante clichê) o nascimento do menino Benjamin Button, a narrativa procura dosar o humor ao drama, e faz isso muito bem. No segundo ato, durante o crescimento de Benjamin e sua fase "Brad Pitt bonitão", a narrativa em off com o qual o roteirista busca incessantemente mastigar tudo para o espectador, garante um didatismo excessivo e menospreza a inteligência da platéia. Afinal, grande parte da narração está sendo mostrada na tela. Claro que Fincher equilibra muito bem o humor (o velho que diz ter sido atingido por um raio sete vezes, onde as cenas que mostram isso são evidentemente uma referência ao cinema mudo da época) e o drama, mas Eric Roth deixa de elevar o seu roteiro ao espetacular quando foge de temas históricos.

Já que Fincher quis trabalhar com um filme sério e tratou de manter o clima realista da cena envolvendo o submarino (brilhantemente dirigida e visualmente impecável) e o roteiro cuidou de inserir comentários sobre a Segunda Guerra, porque o período do Klu Klux Kan foi deixado de lado? Não houve um comentário sequer. Faltou ousadia para Eric Roth. Provavelmente Roth pensou que um subtexto sobre o Klu Klux Kan desviaria o foco narrativo ou que o movimento KKK tenha sido mais forte em outros Estados (Mississipi, Texas), por isso não seria necessário uma cena sobre tal. Na verdade, um tema como esse, se bem abordado, elevaria o realismo da trama e emprestaria um texto um pouco mais crítico e menos focado em malabarismos visuais e lições de moral risíveis. Aliás, o próprio Roth já encarou fatos históricos de frente quando roteirizou o excelente Forrest Gump - O Contador de Histórias.

Em tempo, O Curioso Caso de Benjamin Button apresenta uma qualidade técnica invejável, deixando evidente o perfeccionismo do diretor. A direção esmera-se ao criar cenários impecáveis e os figurinos estão lindos. E é trabalhando com base nisso que o diretor de fotografia Claudio Mirando compõe uma fotografia genial. Utilizando a iluminação com perfeição, em uma cena em especial, quando Daisy dança para Benjamin iluminada apenas por dois postes de luz, enquadrando ambos em um ângulo delirante, casando perfeitamente com a trilha sonora de Alexandre Desplat que preenche todo o filme liricamente suave e agradável, já que o design de som é absolutamente impecável (tanto no som direto quanto indireto).

Apesar dos deslizes, a veia autoral do diretor está aqui. Fincher dirige o elenco com elegância e não dá espaço para o improviso. Além disso, mostra agilidade na montagem, que deve ter dado uma trabalho danado, sabendo que uma passagem de tempo tão longa precisa ter coerência com a continuidade. No fim das contas, O Curioso Caso de Benjamin Button é um filme sobre o tempo. Foi feito para dizer que ninguém pode com o tempo. O tempo une e separa. Como na cena narrada por Benjamin (5 segundos...). Segundo o filme, o tempo é o dono do mundo. E o relógio não pára. Muito menos anda para trás.

Nota: 7.5


Ano: 2008
Direção: David Fincher
Elenco: Brad Pitt, Cate Blanchett, Julia Ormond, Elle Faning, Tilda Swinton, Jason Flemyng


A idéia básica deste vídeo é apresentar uma lista com os 100 filmes que o editor deste blog julga essenciais para qualquer cinéfilo. Tentei não repetir diretores, mas não tenho culpa se Spielberg fez 4 ou 5 obras-primas. O mesmo vale para Kubrick, os Coen, Woody Allen, Hitchcock e CIA.

Para assistir diretamente no Youtube clique no link ao lado: 100 filmes

* A trilha sonora do vídeo é Bones, canção do The Killers.


Discutiu-se há pouco tempo se a crítica de cinema ( e a própria cinefilia ) não estariam em crise. Em meio a tantas opiniões, incluindo de quem defenda que críticos existem poucos, mas emissores de gostos e sensações existem aos montes na internet, também surgiu à constatação de que a cinefilia está longe de estar em crise ( a internet, pelo contrário, a ampliou, e muito ) e a conseqüência é que a crítica também mudou de veículo. Hoje, a internet sadiamente abriga cinéfilos, críticos, comentaristas e, com orgulho, os tais emissores de gostos e sensações. É bom trocar idéia sobre cinema.

Um bando de malucos que adoram fazer isso também se reuniu em torno de um projeto que está sendo lançado hoje. O Cinefilia nasceu dessa paixão comum. Sem a intenção de competir com portais de cinema, ou trazer notícias atualizadas. Apenas escrever sobre cinema. O que seria inicialmente um blog tornou-se um site. E durante três meses, pessoas entraram e saíram da equipe, datas foram remarcadas, layouts trocados, mas o Cinefilia nasceu. Como um espaço de reunião, inaugurado hoje. A idéia é tornar o site um ponto de encontro também de quem costuma comentar em nossos blogs. De abrigar discussões. Por isso, você pode comentar em cada texto, em cada crítica, e convidamos vocês a fazerem isso.

Por isso, vocês terão espaço lá. Estaremos sempre convidando amigos blogueiros para escreverem para o site. E também para nossa revista Cinefilia, outro projeto que mexeu com a gente. Todos os meses estaremos disponibilizando uma revista com críticas e textos inéditos no site, diagramada, em dois formatos: PDF para download, e na versão online, página a página. Na revista, já que não há grana envolvida, em vez de publicidade diversa haverá espaço para banners dos BLOGS amigos do site - divulgação extra é bom pra todos, certo? Para isso basta bolar um banner nos tamanhos 460 x 100 ou 340 x 100 pixels, em formato JPG, e enviar para cinefilia@cinefilia.net.

O site terá novas funcionalidades futuramente: chat, fórum, quizz, possivelmente estaremos abrigando blogs de cinema gratuitos – e claro que o melhor desses blogs também será selecionado para a revista – votações, tops, multimídia, downloads, promoções e acima de tudo, cinema.

Por enquanto, você encontra textos sobre novos filmes, clássicos, revisões, a seção nostalgia, trilhas sonoras, artigos sobre cinema, especiais ( Martin Scorsese será tema do nosso primeiro especial )... o site está online a partir de hoje. A revista, você conhecerá na semana que vem. Ajude a gente a fazer o Cinefilia crescer e prepare-se: você pode ser convidado a dar as caras por lá como colaborador.

Cabe aqui um destaque: nada disso seria possível sem o nosso programador e administrador. Renato, parabéns pelo trabalho e muito obrigado por tudo. Sem você o site nunca sairia do papel.

Fazem parte do Cinefilia:

Fábio Luis Rockenbach – estudante de jornalismo, repórter cultural, editor do Século da Luz

Pedro Henrique – cineasta amador, fotógrafo, editor do Tudo é Crítica

Alex Gonçalves – blogueiro e cinéfilo, editor do Cine Resenhas

Otávio Almeida – publicitário, editor do Hollywoodiano

André Renato – professor, editor do Sombras Elétricas

Erika Liporaci – publicitária, atriz e jornalista, colunista do Crônicas Cariocas, editora do Artes & Subversão

Carla Marinho – jornalista, colunista do Adoro Cinema e do JC Online

Marcus Vinícius – estudante de jornalismo, editor do Caminhante Noturno

Davi Cruz – administrador de empresas, editor do Tô Assistindo

Renato Albuquerque, técnico de TI e programador

Segue ao lado o link do site: http://www.cinefilia.net


Os grandes filmes desta temporada (2008/2009) têm suas estréias marcadas para o país do futebol, do carnaval e da mulher bonita. Entre janeiro e fevereiro, os favoritos ao Oscar invadem as salas para defenderem suas virtudes diante do público brasileiro. Os principais deles estão aqui:

Nessa sexta (16/01) já estreou um dos grandes:
O Curioso Caso de Benjamin Button, de David Fincher, filme que Tudo é Crítica já conferiu, é dica certa para o fim de semana. O filme ainda traz Brad Pitt e Cate Blanchett.

Dia 30 de janeiro é dia de Sam Mendes defender o seu futebol em Foi Apenas um Sonho, que marca a volta de Leonardo DiCaprio e Kate Winslet no mesmo set.

Mas calma lá, dia de maratona é dia 6 de fevereiro. Nesse dia chegam aos cinemas:

Gran Torino, de Clint Eastwood.


O Leitor, de Stephen Daldry.


Milk - A Voz da Igualdade, de Gus Van Sant.


Dúvida, de John Patrick Shanley.


Infelizmente, O Lutador, nova aventura cinematográfica de Darren Aronofsky, teve sua estréia adiada. O filme tinha data marcada para dia 6 de fevereiro mas foi adiado para a sexta seguinte (13/01), dia da reestréia de Batman - O Cavaleiro das Trevas.

15/01/2009

A Troca

"They tried to make me go to rehab, I said, 'No, no, no '"

Quem conhece o cinemão hollywoodiano sabe que Clint Eastwood tem domínio total sobre o seu ofício. Como ator, Clint nunca foi acima da média, apesar de sempre se entregar de corpo e alma aos seus personagens. Por outro lado, enquanto diretor, o hoje experiente Clint possui algumas obras invejáveis. Por exemplo, exercitou a arte dramática com categoria em Menina de Ouro. Trabalhou muito bem à serviço da estrutura narrativa em um dos filmes mais coesos de sua filmografia, Sobre Meninos e Lobos. Antes disso, contudo, homenageou com garra o gênero que o consagrou com o faroeste competente Os Imperdoáveis - que também foi o filme que o consagrou como diretor dentro da indústria de Hollywood.

A rigor, o diretor volta com carga dramática pesada, elenco de peso e pompa técnica ambiciosa para desenvolver um drama forte e, por vezes, duro. A Troca possui todos os atributos básicos que o projeto de cinema do autoral Clint exige, embora quase nenhum deles funcione trabalhando em seu esplendor. Pontos fortes e pequenas falhas fazem de A Troca um filme bem feito, porém irregular e algumas vezes convencional. Ainda assim, a elegância e a sensibilidade de Clint permite ao espectador assistir um belo filme, com atuações excelentes e fotografia magnífica.

A trama, calcada em um acontecimento real, conta a história de uma mãe (Angelina Jolie) que, ao voltar do trabalho, não encontra seu filho em casa. Desesperada, ela parte em busca do filho, chamando a polícia, que pouco faz. 5 meses depois, ela recebe um telefone dizendo que seu filho foi encontrado. Quando vai buscá-lo, porém, vê que o menino que tem diante de seus olhos não é seu filho, não é o verdadeiro Walter. Enquanto a polícia tenta convence-la a ficar com o garoto. A partir daí, Christine Collins vai em busca daquilo que chamamos de "justiça cega".

O filme, produzido pelo competente trabalho do mega-magnata Brian Grazer (Uma Mente Brilhante) e do diretor inconstante Ron Howard (também Uma Mente Brilhante), possui defeitos e virtudes, mas ambos são tão gritantes que não há como ficar em cima do muro em relação ao filme. O roteiro de J. Michael Straczynski é correto, porém longo demais, perdendo tempo com cenas desnecessárias (a primeira em que o personagem de John Malkovich aparece, falando sobre o desaparecimento do garoto, por exemplo) enquanto poderia trabalhar melhor no desenvolvimento dos personagens, que é onde o filme mais carece de vigor. O reverendo Gustav Briegleb, por exemplo, só realmente um personagem equilibrado e importante dentro do contexto narrativo graças a atuação eficiente do ótimo John Malkovich. Jeffrey Donovan, que faz o capitão corrupto J.J Jones também não decepciona, entregando uma interpretação dramática correta, assim como Amy Ryan.

Fica explícito, no entanto, que A Troca tem na performance apaixonada e calorosa de Angelina Jolie a sua maior virtude. Angelina confirma a virada na carreira depois de uma seqüência de bons trabalhos (O Bom Pastor, O Preço da Coragem, O Procurado), deixando papéis superficiais de lado e encarando desafios que estudam mais o seu talento dramático. Aliás, em A Troca Jolie trabalha em terreno bastante conhecido, remetendo diretamente a um dos seus melhores trabalhos (Garota, Interrompida). Vivendo uma mãe que luta vigorosamente em busca do seu filho desaparecido, Jolie se entrega e presenteia o espectador com um trabalho acima da média. Angústia, aflição, dor e esperança se misturam naquele rosto que transmite emoção com um simples gesto ou expressão facial. Como poucas atrizes são capazes de fazer.

Apesar disso, A Troca está longe de ser um filme perfeito. A trilha sonora de Clint funciona bem em todos os momentos e o trabalho de fotografia de Tom Stern é fantástico, apostando em uma paleta escura que usa a iluminação muito bem (refletindo sempre o tom da narrativa no rosto dos personagens). Por outro lado, Clint estica demais a história, insere cenas desconexas e sem simetria alguma no primeiro ato (como a já apontada no início do texto) e engana a platéia com um porção de falsos-finais que acabam cansando devido a fragilidade do roteiro nessas cenas. Nada impede, porém, que o clímax seja conduzido com categoria e precisão cirúrgica pelo diretor.

A câmera objetiva de Clint, sempre a serviço de conduzir a narrativa ao ponto culminante do clímax e preocupada com a criação artística, compreende o drama da protagonista com excelência e, ancorada por uma Jolie inspirada, emociona. Enquanto a crítica especializada continua tentando decifrar - e fingindo saber - o que eles nunca irão entender (que é a criação artística unida a ação dramática com o único objetivo de contar uma boa história apoiada fatos reais ou ficção) porque eles não trabalham com cinema por amor e sim por profissão, o cinema segue mostrando que uma história boa e bem contada sempre funciona.

Nota: 8

Ano: 2009
Direção: Clint Eastwood
Elenco: Angelina Jolie, John Malkovich, Jeffrey Donovan, Amy Ryan

13/01/2009

Senhores do Crime

"Isso aqui parece mais uma loja Maçônica"

A dica está logo na primeira cena: uma execução sanguinolenta em uma barbearia. Posto isso, fica fácil constatar que estamos diante de um filme de David Cronenerg. A decupagem do texto, a atmosfera inquietante onde mantém o espectador sempre ansioso pela próxima cena, a direção discreta, segura e eficiente de Cronenberg. Tudo isso, somado a ambigüidade metalingüistica proposta pelo movimento em candura e aquela esperança metaforizada que permeia as diversas camadas do roteiro fazem de Senhores do Crime mais um exemplar maiúsculo na carreira do diretor, roteirista e visionário David Cronenberg.

Ao passo em que continua mostrando o seu gosto pelo grotesco, Cronenberg revela que também trabalha muito bem com a violência, e é isso que compõe a maior parte deste grande filme do realizador. Enquanto eXistenZ e Videodrome atentavam para a visão maluca do diretor sobre tecnologias futuristas, Senhores do Crime mostra-se um poderoso retrato da máfia, assemelhando-se bastante com Os Bons Companheiros, de Martin Scorsese, no que diz respeito a frieza com que as cenas são dirigidas e, também, rivalizando com seu próprio Marcas da Violência.

A trama gira em torno de um misterioso motorista russo chamado Nikolai Luzhin (Viggo Mortensen. Nikolai trabalha para uma das famílias mais respeitadas do Leste Europeu que atua no crime organizado de Londres. Semyon (Armin Mueller-Sathl) é o proprietário de um restaurante trans-siberiano e dirige a família, que tem em Kiril (Vincent Cassel), filho de Semyon, um violento bandido que, via de regra, está mais ligado ao motorista do que ao próprio pai. Enquanto isso, Anna (Naomi Watts) investiga a morte de uma jovem, que ocorreu durante um parto realizado no Natal.

A veia do autor, aqui, se faz presente em cada tomada do longa-metragem. Cronenberg afirma sua competência em construir narrativas simplistas, mas bastante corretas, onde mantém o foco narrativo. Aliás, méritos do roteiro redondinho de Steven Knight, que realiza um trabalho competente na construção dos personagens, principalmente do de Viggo Mortensen. Em tempo, Viggo entrega a melhor performance de sua carreira com uma atuação que não se prende aos maneirismos e imprime expressões impressionantes, mostrando o talento do ator. O minimalismo dos trejeitos do personagem é o trunfo da interpretação competente e aguerrida do ator.

Enquanto isso, Armin Mueller-Stahl entrega um trabalho interessante, compondo um personagem bastante marcante. Apesar disso, Vincent Cassel não convence. Com uma performance antipática e bastante caricata, o ator é o ponto fraco do elenco, que ainda conta com uma segura Naomi Watts. Os personagens, aliás, possuem uma obscuridade interessante, principalmente se levarmos em conta que isso liga-se diretamente com a fotografia sombria de Peter Suschitzky, que aposta em planos simples, mas intimistas, tirando o máximo dos sentimentos e angústias dos personagens.

Ainda há, como de praxe, uma cena que já nasceu clássica. A cena de luta na casa de banhos já entrou para a história como uma das mais brilhantes em todos tempos. Com uma edição que aposta em cortes longos e ajusta-se de forma seca e direta, Cronenberg encerra, com um final bastante ambíguo, um dos melhores filmes de 2008.

Nota: 8


Ano: 2007
Direção: David Cronenberg
Elenco: Viggo Mortensen, Naomi Watts, Vincent Cassel, Armin Mueller-Stahl

11/01/2009

Crepúsculo

"Vo-vo-você é vegetariano?"

Baseado no romance da autora estadunidense Stephenie Meyer, e que contagiou o mundo dos humanos e dos vampiros, Crepúsculo chegou para quebrar o paradigma criado em histórias de monstros em forma humana que mordem pescoços. A autora, que fez um livro bastante convincente e, mesmo não sendo referência literária, viciante, viu sua obra se transformar em um filme água com açúcar, com apelo sexual explícito e uma relação bastante superficial entre os protagonistas. No entanto, a contextualização visual e a atmosfera adolescente mostram-se eficientes. O problema foi que a diretora Catherine Hardwicke caiu nas mesmas armadilhas que compõem os erros da obra literária de Meyer.

Adaptação - assim como o próprio substantivo sugere - não combina com cópia-descarada-em-celulóide. Na verdade, Catherine realizou um filme que quase se auto-sustenta. Em tempo, a diretora de Aos Treze mostrou - mais uma vez - que é capaz de construir a ambientação teen com eficiência e, além disso, apresentar a vasta galeria de personagens com destreza e sem atropelar a narrativa off. Além disso, a diretora se esmera em criar um clima frio e obscuro, que cria um contraste interessante com o romance que se desenvolve em paralelo. Enquanto isso, a roteirista Melissa Rosenberg se encarrega de - quase - jogar o trabalho no lixo.

Claro que Crepúsculo não é um filme ruim, mas precisaria de algumas boas lições de roteiro e edição para se tornar um filme que represente o cinemão. Na verdade, o que se vê é um amontoado de clichês a serviço da aventura maluca proposta pela diretora. De fato, o longa cumpre o que se propõe - entreter o público infanto-juvenil, que é para onde o filme foi direcionado e, de quebra, arranca suspiros excitados de algumas jovens nem tão juvenis assim. Mas faltou bastante para Crepúsculo conquistar outro público. Mas, quer saber, esqueça. Não é um filme para todos.


O roteiro de Rosenberg erra ao criar um conflito dramático entre Bella (Kristen Stewart) e Charlie (Billy Burke) como, por exemplo, o velho artifício do auto-sacrifício (um filme adaptado não precisa depender tanto assim de sua origem literária). Sem contar que ela deixa, no final do filme, outro antigo artifício hollywoodiano como desculpa para a inevitável continuação. Além do mais, prolonga demasiado a apresentação dos personagens (que não são poucos), atropelando o bom desenho artístico criado com cuidado pela diretora. Aliás, Catherine preocupou-se milimetricamente com a parte técnica do filme. Nota-se um trabalho meticuloso na maquiagem e na reprodução da palidez da pele dos vampiros. Principalmente quando Edward pega um "solzinho" e brilha feito um arco-íris.

Catherine também utiliza em abundância a câmera lenta e rápida. Na cena do jogo de baseball, por exemplo, vemos isso repetidas vezes, tanto que chega a cansar. Mas era necessário, porque, de alguma forma, o diretor de fotografia Elliot Davis precisava esconder as fragilidades dos efeitos especiais, que decepcionam. Ainda há de se dizer que, via de regra, os ângulos burocráticos e a câmera que aposta em enquadramentos laterais não auxilia na identificação dos protagonistas com a platéia, que assiste tudo sem sentir empatia com os mesmos. Salvo Bella que, amparada pela interpretação segura e competente de Kristen Stewart, consegue garantir - ao menos - o interesse pela personagem central. Se dependesse do maniqueísmo caricato de Robert Pattinson (Edward), que está lá mais para arrancar suspiros do que mostrar o seu talento dramático que, diga-se, não deve nem existir, Crepúsculo não seguraria um público um pouco mais exigente por duas horas.

Apesar de tudo isso, no final das contas, o filme cumpriu seu objetivo - faturou alto nas bilheterias e conquistou o público-alvo, já garantindo o sucesso da franquia. E, como já dito, Crepúsculo não é um filme ruim. É um filme feito sob-medida para um determinado público. É, inclusive, até melhor que muitos filmes de bruxinhos, bússolas, leões e guarda-roupas e livros mágicos que vemos por aí.

Nota: 6

Ano: 2008
Direção: Catherine Hardwicke
Elenco: Kristen Stewart, Robert Pattinson, Billy Burke, Nikki Reed, Peter Facinelli

09/01/2009

Estômago

"Vê mais uma coxinha aí!"

Em seu primeiro longa-metragem, o cineasta curitibano Marcos Jorge (por anos radicado na Itália) realiza um filme independente e pequeno. Mas só na aparência. Além do fato do diretor conseguir equilibrar vários gêneros com elegância, a história prende o espectador do início ao fim da metragem ao se mostrar bastante realista. Não raro, o diretor entregou um filme bastante ambíguo e subjetivo. Estômago pode ser observado como um filme dramático onde a metáfora para a sociedade não dá tréguas, ou pode ser apreciado como um simples filme com uma história que diverte tanto quanto choca. É assim que Marcos Jorge realiza o melhor filme nacional de 2008.

Apesar do estilo narrativo permitir concluir que o objetivo do diretor é fazer um filme que ponha o espectador para pensar, a edição que aposta em cenas bem-humoradas nos momentos onde o filme ganha carga dramática pesada trata logo de quebrar o ritmo e criar um contraste muito bem-vindo. Aliás, este contraste pode ser acompanhado em uma das camadas do filme, que o diretor carrega com a categoria de um veterano. A história que acompanha a trajetória de Raimundo Nonato (João Miguel), narra sua chegada a cidade grande e, paralelamente, mostra a sua vida na prisão. Sim, o que nós vamos acompanhar é a história de um crime. A clareza com que a história é contada permite uma leitura apurada sobre a sociedade, e isso é ainda mais possível diante da rápida empatia que o espectador desenvolve para com o protagonista.

Tecnicamente, Estômago é praticamente perfeito. Nada foge aos olhos da direção de arte, que preocupa-se com cada grão de arroz que foi feito para as filmagens. O figurino de Marissol Grossi, que ganha cores e indica o avanço psicológico do personagem, também é belíssimo e trabalha em conjunto com a fotografia sempre competente Toca Seabra que, assim como o figurino busca o sentimento do personagem e entrega de soco para o público, que assiste atônito aquele deleite fotográfico que não se limita a câmera estática (bem característica de novelas) e aventura-se de câmera na mão e planos-seqüência incríveis. Como a seqüência final em um longo plano sem cortes, que é uma obra de arte. Antológica.

A rigor, o elenco encaixa-se perfeitamente à história e presenteia o espectador com performances excelentes. O protagonista, que ficou a cabo de João Miguel, é nunca menos que ótimo. Miguel conduz o filme inteiro com uma atuação forte e marcante. Enquanto isso, a estréia de Fabiula Nascimento apresenta mais uma atriz com potencial acima da média. Babu Santana, Carlos Briani e Paulo Miklos (em participação de luxo) não decepcionam. A única ressalva é em relação ao ator Helder Clayton Silva (Seqüestro, no filme) que desfila sua ruindade com uma interpretação que não convence em nenhum momento, soando até inverossímel diante do restante do competente elenco.

Como o filme não é o que aparenta ser, portanto, não é um filme para ser visto baseado em aparências (se você mantém alguma resistência sobre o filme, jogue-as fora), quanto menos se sabe mais se surpreende e mais envolvido com a história se fica. Estômago é a história de como a sociedade destrói e corrompe ela mesma. De como o ser humano pode ser tudo. É sobre escolher se você vai comer ou vai ser comido. É sobre preconceito social. É sobre sobrevivência. É sobre nós mesmos.

Nota: 8

Ano: 2008
Direção: Marcos Jorge
Elenco: João Miguel, Fabiula Nascimento, Carlos Briani, Babu Santana, Paulo Miklos

A partir desta sexta-feira, 9 de janeiro, o site Crônicas Cariocas leva para o mundo digital a antiga tradição dos folhetins e lança Gosto de Sangue, história de Erika Liporaci com ilustrações de Francci Lunguinho que será publicada em capítulos. Os leitores lerão um capítulo novo a cada semana, sempre às sextas-feiras. Mas, ao contrário dos folhetins tradicionais, não se trata de um melodrama e sim de uma história policial... pelo menos aparentemente. Para saber mais, só acompanhando a trama no www.cronicascariocas.com.br .

Sobre a autora:

Erika Liporaci tem formação em jornalismo e artes cênicas, além de ser apaixonada por cinema desde criança. Nos últimos oito anos, trabalhou para diversos veículos na área cultural. No momento, escreve a coluna Luz & Sombras no Crônicas Cariocas e também edita seu blog Artes & Subversão (http://www.artesesubversao.blogspot.com/), além de atuar em teatro. Gosto de Sangue é seu primeiro romance de ficção e uma sincera homenagem ao gênero noir que tanto admira. Erika publicou anteriormente A Tela de Narciso - O Cinema nas Telas de Cinema (Armazém Digital, RJ, 2005), uma análise do uso da metalinguagem na sétima arte.

Sobre o ilustrador:

Francci Lunguinho é jornalista, ilustrador e quadrinista. Atua na área de comunicação há 17 anos, tendo começado a carreira ainda jovem como copy desk de uma rádio. Trabalhou em diversos jornais, exercendo diferentes funções. Foi funcionário do Grupo O Estado de São Paulo durante oito anos. Fundou a empresa SCB – Sistema Crônicas Brasileiras de Radiodifusão Sonora Ltda, detentora do site Crônicas Cariocas e da TV Crônicas. É diretor do portal www.cronicascariocas.com.br, e também escreve no blogue Zumbido Cultural (http://zumbidocultural.blogspot.com/).


Após alguns meses de tratativas e manutenções, o site irá sair do papel. Pois é, Cinefilia irá virar um portal dedicado única e exclusivamente ao cinema dentro de alguns dias. Mas que não fiquem bravos os viciados em séries, pois elas também terão seu espaço por lá. Além disso, uma revista virtual. com uma diagramação impecável e matérias especiais. Os maiores detalhes eu conto no dia da inauguração do site, que terá conteúdo diversificado. A equipe é fantástica e todos os editores são competentes no que fazem e vocês irão reconhecer todos - de algum veículo ou de outro. Enquanto isso, deixo uma prévia com uma matéria escrita em parceria com a colega Erika Liporaci. Até lá!


*Por Erika Liporaci e Pedro Henrique


Melhor Atriz (drama)

Anne Hathaway (O Casamento de Rachel)
Angelina Jolie (A Troca)
Meryl Streep (Doubt)
Kristin Scott Thomas (I've Loved You So Long)
Kate Winslet (Revolutionary Road)


Estamos falando aqui de cinco trabalhos ainda não vistos em telas brasileiras. Apenas O Casamento de Rachel passou no Festival do Rio, e a opinião de alguns colegas exaltava a boa atuação de Anne Hathaway – o que essa indicação só veio confirmar. Mas Anne tem pela frente uma concorrência extremamente pesada e não deve conseguir levar o prêmio. Idem para a inglesa Kristin Scott Thomas que, com sua presença discreta e elegante, dificilmente terá cacife para vencer Angelina Jolie e Kate Winslet, as duas concorrentes de fato ao prêmio. Kate tem a seu favor o altíssimo índice de indicações não-convertidas em prêmios. Ao Globo de Ouro, já foram sete (duas só esse ano); ao Oscar, nada menos que cinco (três como atriz principal e duas como coadjuvante). Também lhe favorece o fato de ser uma atriz mais conceituada que sua rival, cuja sensualidade muitas vezes ofusca o talento. Já Angelina conta com o fator estrelato e a simpatia que vem angariando fora das telas graças a seu envolvimento com causas sociais. Também existe uma pré-disposição favorável a atrizes que, como ela, fazem uma guinada dos filmes comerciais para trabalhos mais elevados artisticamente, proeza que a atriz havia tentado anteriormente com O Preço da Coragem e repete agora sob a batuta de Clint Eastwood. Por fim, a diva Meryl Streep seria uma ameaça às duas belas se não estivesse concorrendo também na categoria melhor atriz em musical/comédia por Mamma Mia!, filme no qual arrasa e deve sair vitoriosa.

Erika Liporaci
Quem eu acho que vence: Kate Winslet
Quem eu gostaria que vencesse: Kate Winslet
Que não vence de jeito nenhum: Kristin Scott Thomas

Pedro Henrique
Quem eu acho que vence: Kate Winslet
Quem eu gostaria que vencesse: Angelina Jolie
Que não vence de jeito nenhum: Kristin Scott Thomas


Melhor Ator (drama)
Leonardo DiCaprio (Revolutionary Road)
Frank Langella (Frost/Nixon)
Sean Penn (Milk)
Brad Pitt (O Curioso Caso de Benjamin Button)
Mickey Rourke (The Wrestler)

Terá chegado a vez de Leonardo DiCaprio? O rapaz, que era uma promessa no início de carreira, quase naufragou junto com o Titanic. Levou quase uma década para retomar o prestígio perdido, mas atualmente está em sua melhor fase. Foi ótimo em Diamante de Sangue, arrasou em Os Infiltrados e agora reencontra Kate Winslet sob a direção de Sam Mendes. Pode ser sua chance. Brad Pitt, o outro bonitão que luta para provar seu valor, concorre por um filme de David Fincher – o que é sempre um bom sinal. Mas pelas imagens mostradas até agora, o apelo maior de seu personagem parece ser a caracterização (Pitt começa o filme velhinho e vai rejuvenescendo). Sean Penn é sempre competente, mas tem contra si o fato de ter ganho um Oscar há pouco tempo (por Sobre Meninos e Lobos, há quatro anos). Mickey Rourke, apesar de bom ator, andava tão decadente que a mera indicação já é motivo de comemoração. Já o veterano Frank Langella parece ser a ameça mais perigosa a DiCaprio. Grande ator que costumamos ver em papéis coadjuvantes, talvez tenha nesta indicação uma oportunidade única de ser premiado. E os votantes costumam se comover com esse tipo de reconhecimento.

Erika Liporaci
Quem eu acho que vence: Leonardo DiCaprio ou Frank Langella
Quem eu gostaria que vencesse: Leonardo DiCaprio
Que não vence de jeito nenhum: todos têm chance

Pedro Henrique
Quem eu acho que vence: Mickey Rourke
Quem eu gostaria que vencesse: Mickey Rourke
Que não vence de jeito nenhum: Leonardo DiCaprio

Melhor Atriz (musical/comédia)
Rebecca Hall (Vicky Cristina Barcelona)
Sally Hawkins (Simplesmente Feliz)
Frances McDormand (Queime Depois de Ler)
Meryl Streep (Mamma Mia!)
Emma Thompson (Last Chance Harvey)

Woody nos trouxe, com seu engraçadíssimo Vicky Cristina Barcelona, uma atriz que se mostrou competente do primeiro ao último minuto da metragem. Rebecca Hall, que já aparecera em O Grande Truque, de Chistopher Nolan, entrou de cara no espírito do filme e entregou uma atuação segura e promissora. Apesar disso, dificilmente será páreo para Meryl Streep, assim como Sally Hawkins, que apareceu bem em O Sonho de Cassandra, mas que dificilmente terá seu trabalho em Simplesmente Feliz premiado aqui. Aliás, Meryl entra como favorita na briga pela estatueta por seu trabalho em Mamma Mia!, filme que só respira graças ao seu talento. Surpresa agradável seria ver a sempre competente senhorita Coen, Frances McDormand, levar o caneco, pois ela está hilária no mais recente filme dos irmãos Coen. Emma Thompson, que conta com um currículo bastante interessante e já tem um Globo em casa, pode surpreender.

Erika Liporaci
Quem eu acho que vence: Meryl Streep
Quem eu gostaria que vencesse: Meryl Streep
Que não vence de jeito nenhum: Rebecca Hall

Pedro Henrique
Quem eu acho que vence: Meryl Streep
Quem eu gostaria que vencesse: Frances McDormand
Que não vence de jeito nenhum: Sally Hawkins

Melhor Ator (musical/comédia)
Javier Bardem (Vicky Cristina Barcelona)
Colin Farrell (Na Mira do Chefe)
James Franco (Segurando as Pontas)
Brendan Gleeson (Na Mira do Chefe)
Dustin Hoffman (Last Chance Harvey)

Tudo indica que esse prêmio consagrará o espanhol Javier Bardem. Colin Farrell está bem como o aprendiz de mafioso de Na Mira do Chefe, mas sua carreira é tão irregular que só esta indicação já é uma vitória. O mesmo se pode dizer do geralmente inexpressivo James Franco. Brendan Gleeson poderia surpreender. Dustin Hoffman é sempre um nome de peso, embora há muito tempo não apresente um trabalho no mesmo nível de antigamente. Posto isso, pode-se até dizer que dificilmente o prêmio sairá das mãos do ator espanhol, que levou a estatueta no ano passado pelo seu trabalho no filme dos irmãos Coen, Onde Os Fracos Não Têm Vez. Apesar dos bons trabalhos realizados pelos demais indicados, provavelmente nenhum deles terá poder de fogo para rivalizar com um dos atores que mais cresce ultimamente.

Erika Liporaci
Quem eu acho que vence: Javier Bardem
Quem eu gostaria que vencesse: Javier Bardem
Que não vence de jeito nenhum: James Franco

Pedro Henrique
Quem eu acho que vence: Javier Bardem
Quem eu gostaria que vencesse: Javier Bardem
Que não vence de jeito nenhum: James Franco

Melhor Atriz Coadjuvante

Amy Adams (Doubt)
Penélope Cruz (Vicky Cristina Barcelona)
Viola Davis (Doubt)
Marisa Tomei (The Wrestler)
Kate Winslet (The Reader)

A exemplo do que ocorre com seu compatriota Javier Bardem, as indicações desta categoria parecem conspirar em favor de Penélope Cruz. A presença da atriz é tão forte em Vicky Cristina Barcelona que chega a ofuscar as moças do título. Depois de um começo promissor na Espanha e uma carreira hollywoodiana que começou mal, Penélope encontrou o ponto de equilíbrio em sua carreira internacional com Volver. Amy Adams, indicada ano passado por Encantada, continua esbarrando em concorrência pesada. Kate Winslet concorre também na categoria principal e, como uma vitória numa categoria indica derrota em outra, a atriz deve perder aqui e sair vencedora lá. Marisa Tomei, boa atriz que ganhou um Oscar no começo da carreira e nunca mais acertou o passo na carreira, pode estar no caminho para retomar o prestígio perdido. Viola Davis, atriz televisiva vista recentemente como a dona da pousada de Noites de Tormenta, tem que comemorar a indicação e só.

Erika Liporaci
Quem eu acho que vence: Penélope Cruz
Quem eu gostaria que vencesse: Marisa Tomei
Que não vence de jeito nenhum: Viola Davis

Pedro Henrique
Quem eu acho que vence: Penélope Cruz
Quem eu gostaria que vencesse: Penélope Cruz
Que não vence de jeito nenhum: Viola Davis

Melhor Ator Coadjuvante
Tom Cruise (Trovão Tropical)
Robert Downey Jr. (Trovão Tropical)
Ralph Fiennes (A Duquesa)
Philip Seymour Hoffman (Doubt)
Heath Ledger (Batman - O Cavaleiro das Trevas)

Alguém realmente acha que há a mais remota possibilidade de Heath Ledger não ganhar esse prêmio? E premiar a performance do saudoso ator não vai ser nenhuma condescendência, já que seu trabalho é, de longe, uma das grandes performances vistas no cinema de todos os tempos. Somando o merecimento natural ao apelo afetivo por sua morte prematura, Ledger é simplesmente imbatível. E a concorrência fraca também ajuda: tanto Tom Cruise como Robert Downey Jr. têm participações divertidas em Trovão Tropical, mas que dificilmente poderiam ser consideradas interpretações de peso (mais uma vez, a grande curiosidade é a caracterização); Ralph Fiennes apresenta atuação apenas correta em A Duquesa e tem suas chances anuladas pelo fato do filme não ser grande coisa; e Philip Seymour Hoffman, o único dos cinco ainda não visto por aqui, tem contra si a premiação recente por Capote. Considerando tudo isso, será realmente uma grande surpresa se o Coringa não sair da festa consagrado e pronto para arrasar também no Oscar. Por que tão sério?

Erika Liporaci
Quem eu acho que vence: Heath Ledger
Quem eu gostaria que vencesse: Heath Ledger
Que não vence de jeito nenhum: Tom Cruise

Pedro Henrique
Quem eu acho que vence: Heath Ledger
Quem eu gostaria que vencesse: Heath Ledger
Que não vence de jeito nenhum: Tom Cruise

Erika é jornalista, escritora, atriz e faz parte da equipe do site... Ops, falei...