Sobre alguns filmes fraturados: A Origem, A Rede Social e Cisne Negro

O comum entre os filmes de Christopher Nolan, David Fincher e Darren Aronofsky

O que há de novo no cinema contemporâneo ianque? O que se consegue retirar para além das peripécias que alguns cineastas vêm realizando? O cinema estadunidense vem se repetindo? Falta inovação, criatividade ou uma nova onda que possibilite a rodagem de novos filmes através de uma renovação de linguagem (tanto visual quanto narrativa)? Como gerir essas forças que parecem estar se perdendo no tempo? Vamos falar um pouco desse cinema, especialmente de três filmes recentes. Cinema que por algum motivo almeja esquartejar a potencialidade dos recursos cinematográficos explorando-os até o transbordamento, envergando-se e construindo os filmes a partir desses recursos e para esses recursos, não para os filmes, não para eles fluírem, tampouco para a fruição de suas histórias, mas para o encantamento estético, sugando a narrativa para um estágio onde fica muito claro que seus criadores enjambrarão “uns discursos” para depois outorgá-los dentro de si mesmos, dispondo de uma lógica sistemática errante em suas representações: pois A Origem gira (com trocadilho, por favor) apenas em torno de legitimar sua proposta “narrativa arrojada e corajosa”, A Rede Social trata de esmiuçar e contorcer o apocalipse do capitalismo cognitivo, apoiado por uma “forte trilha sonora hi tech (para reforçar um pouco a autenticidade do momento que se vive)” e Cisne Negro confunde imersão e profundidade com o efeito do ecstasy. Pecadores. Porque se estes cineastas são contestados, decerto se reconhece neles algumas virtudes.

Mas se fosse possível resumi-los, diríamos que todos estes três são filmes sem atitudes potenciais. E falamos em falta de atitude no sentido de escapar das amarras do filme pseudo-cerebral e embarcar numa aventura menos calcada na sublimação/fascinação pelas imagens e mais no enriquecimento que elas podem agregar à narrativa e ao argumento dos filmes sem que, para isso, seja necessário seguir o caminho do obscurantismo. Mas sabemos que, na criação artística, dizer “as coisas” diretamente sem banalizar a estrutura é tarefa que exige perícia, não deslumbramento. No cinema estadunidense contemporâneo, são poucos os realizadores capazes disso – poderíamos citar alguns nessa pachorra, tais como Abel Ferrara, Woody Allen, Martin Scorsese, Quentin Tarantino, Ramin Bahrani, Brian De Palma e os irmãos Coen. Não há um cinema possível partindo destes filmes, mas um cinema que caminha sobre uma falsa-epifania para se autointitular problematizante. Há um desejo que transcende amiúde as relações entre personagens e história e que transporta para os filmes uma razão de ser esquelética e, sobremaneira, esquematizada. O que talvez explique porque um filme como A Origem visa envolver o espectador em diversas “dimensões”, conduzindo-o de um lado para outro (numa vertigem que nada tem de complexa: é a esquizofrenia florescente que toma corpo nessas entranhas castigadas), o que não mascara suas artificialidades e somente polui sua diegese. E também não é complicado visualizar que A Rede Social se anuncia como um discurso pós-moderno de nosso tempo, mas acaba resultando num fluxo incessante de picuinhas sobre a auspiciosidade do capitalismo que, em meio as suas banalidades cotidianas, afunda-se em sua própria pretensão.

Mas a anorexia mais decantada parece mesmo corresponder a Cisne Negro, o caso mais grave. O filme de Aronofsky parece funcionar e responder somente a partir de estímulos referentes à psicologia da personagem, atrelados ao mundinho de fantasias (espelhos, música, olhares apreensivos) que atormentam sua existência. Mas essa alucinação se dá de maneira equivocada: Aronofsky atribui as inconstantes atitudes de Nina a delírios psicossociais (que é sua própria psicologia e a forma como ela se relaciona com mundo, na vida social), não propriamente a uma obsessão, o que seria certamente muito mais interessante, já que um delírio é um paradigma fechado e a obsessão corresponde ao comportamento humano, portanto joga-se como fonte inesgotável de estudo. Ao menos livraria Cisne Negro do estigma de filme-artifício, pois o delírio em si é causa morta - de fato chega a soar ofensivo ver um filme que se proclama independente comportar em seu adorno tantas opções narrativo-visuais presentes no mais clássico mainstream; há uma repetição de recursos de linguagem para defender uma ideia fílmica pálida. Por isso estes filmes operam na complexidade de suas ações para apontarem o vazio, a nulidade. O comum entre eles começa então pela função-fim.

Dom Cobb, o protagonista de A Origem vivido por Leonardo Dicaprio, precisa tomar uma posição para enfrentar os problemas que vão surgindo em sua atividade ultraplanejada (invadir mentes para roubar as ideias ululantes nelas). Pois o filme de Christopher Nolan trata mesmo de invadir o sonho alheio para de lá retirar uma ideia. A Origem visa aferir toda sua linguagem estético-narrativa em defesa dessa tese (e somente dela), em prol de suas causas e consequências, preferindo suprimir (ao invés de exprimir) sua própria elaboração dramaturgica em detrimento dessa aparente força vibracional que, supostamente, encorpa o filme. Mas A Origem transita num terreno arenoso, belicoso demais para a aprovação/validação de suas estratégias (vamos combinar, trata-se de uma estruturação em formato de guerrilha, onde se escolhe os inimigos e se arma para enfrentá-los, sem pesos nem medidas), porque para legitimar seu discurso-potência ele precisa passar por cima de seus personagens, jogando-os ao mundo como se fossem o alimento dos leões. Não que haja um problema na forma de narrar, pois A Origem tem pulso, tem firmeza naquilo que diz – ou pelo menos demonstra acreditar em suas ações correlativas presenciais. A questão-chave está no olhar que parece empenhado em responder a todos seus questionamentos como se necessário fosse proteger um discurso-emblema e balançar uma bandeira no topo de uma montanha para atestar suas funcionalidades e suas políticas estruturantes. Mas Nolan não sabe que, numa montanha, há vento o suficiente. Na medida em que as coisas se desenvolvem, a mecanicidade do texto, assim como um osso, vai se soltando da carne, nos permitindo ver seu esqueleto.

A artificialidade perpassa também as catastróficas opções estético-narrativas de A Rede Social e Cisne Negro, que insistem na criação de atmosferas onde imperam os conceitos máximos da batida beatnik (aplica-se a mesma noção de espaço, tempo e ruído no filme de Nolan): nestes dois filmes, para representar uma sensação proveniente de uma ação prévia, tudo deve (e só pode) ser feito através do engendramento de recursos diversos, nunca pelo uso da câmera e da vontade de potência que ela mesma opera; desejante em filmar, a câmera, para Fincher a Aronofsky, é só um olhar remoto, de cumplicidade mesmo. A essência desse cinema é registrar o caos, nunca conversar com ele e buscar compreendê-lo. Trata-se de uma espera infrutífera, uma espera confortável, aguardando pela dissipação natural dos corpos que habitam aqueles espaços como se fossem eles heróis (e/ou vilões) pós-modernos do cinema que precisam ser dignificados, mas sobretudo clamam por certo desespero e ansiedade em poder espetacularizar a imagem cinematográfica. Pois se Nina dança sobre cacos de vidro, Zuckenberg programa num teclado desconfigurado e Cobb navega orbitalmente em espaços que podem condená-lo ao limbo mental, então nos resta sorver a reformulação destes objetos e espaços mortos.

E se falamos em virtualidade (ou pelos menos em uma noção espacial por onde se passam os filmes quando não atuam no campo do espaço e do tempo reais como os conhecemos), devemos convergir à comunicação que os filmes realizam e apaziguam entre si num diálogo possível entre as partes e o todo. Por exemplo, se Cisne Negro funciona através de alucinações onde Nina tenta reformular suas ideias e ambições, portanto transita no extra real (ou irreal), A Origem burla essa fronteira, penetrando no inconsciente alheio (age, então, na surdina cerebral do humano, manipulando pretensões) e A Rede Social trata de criar para si esse mundo paralelo (tão próximo) para constituir sua vitória plena. Mas essa perdição completa e insatisfeita na qual Nina se embrenhou será justamente sua assassina (e com isso Aronofsky realiza nada mais do que a criação de um mártir mitológico). No caso de Cobb, face a sua perspicácia, ele próprio (de forma irônica: conscientemente, mas no submundo da inconsciência), confeccionará sua sepultura (seja em qual universo for). Como criador dessa força externa da natureza das coisas, Zuckenberg talha seu próprio caminho com rosas e espinhos, mas talvez ressurja das cinzas apenas com algumas cicatrizes.

Enfim, os diálogos entre as obras se multiplicam e se entrelaçam, se fazem verdade infirmável, infindável e potencializada diante de seus discursos. Eles tratam de mobilizar um prazer (abraçam tão cegamente uma ideia que não consegue/podem olhar para o lado) e domesticá-lo de acordo com os ditirambos dionisíacos, mas sem as fantasias dos sátiros e dos faunos. É estranho, já que o problema destes filmes não está na forma nem no conteúdo, mas na maneira de enfrentar o mundo e os problemas da linguagem da vida ao transpô-la para a tela. O fracasso ocasionado pela busca, o manuseio das narrativas paralelas que circundam os núcleos, os habitats formais e informais dessas interlocuções, a representação da barbárie através do olhar lançado à contemporaneidade; são todos temas comuns aos filmes. A descida ao inferno que precisam realizar será o passo infalível para a compreensão ou para o deslumbramento e para a perda total da consciência espacial? A Origem quer cumprir com seu objetivo, narrar até o fim o inarrável, polir as imagens em blocos narrativos. A Rede Social quer instaurar a cultura do capital e da concorrência desenvolvendo, aqui e ali, linhas mal traçadas sobre a vivência tecnológica essencial e conjunta. Enquanto Cisne Negro se contorce para sistematizar e normatizar a alienação – se existe um filme maniqueísta, eis ele aqui -, banalizando qualquer força imagética.

Como se vê, falamos de filmes crentes em uma possibilidade de comunicação com o mundo extemporâneo, mas também apoiado num ideário que visa cercear o encontro dos homens que vivem do lado de cá com as pessoas que habitam esse mundo desconhecido; que só existe, a bem dizer, no imaginário. Pois se existe um mundo realmente problematizante e fenomenologicamente concreto nesses filmes, esse mundo é o universo paralelo que os acompanha, o virtual, o externo, o outro, o próximo, o não concreto. É como se Guy Debord dissesse que o verdadeiro é um momento do falso. Mas Nolan, Aronofsky e Fincher caminham vendados, cegos e impressionados com os vestígios de seus próprios cinemas, com a grandeza de suas imaginações visuais. Mas das imagens (de toda a significação que elas poderiam representar, ficamos apenas com mera simbologia, com os jogos podres dos signos), não guardaremos nada além da infantilidade. Falta-lhes o poder de confrontamento, de embate, de inquietude. Mas Fincher, Nolan e Aronofsky preferem as peripécias, os penduricalhos, os efeitos, as gags, o horror, o relato informativo, a saliência, a premonição, a crença na ciência do efeito imediato. O que também não deixa de ser surpreendente, pois falamos de uma tríade de cineastas há poucos filmes atrás considerados outsiders do grande cinema estabelecido pela indústria hollywoodiana. Agora navegam todos, pois, na superfície das coisas.

Mas são efeitos que o tempo provavelmente sanará com sua mortal e implacável periculosidade. Porque, se olhar para esses filmes resulta somente em olhar para eles, então que os olhemos, apenas.


Críticas sobre os filmes citados já foram publicadas no blogue:

Cisne Negro

Outros olhares (a favor ou não dos filmes):

Cisne Negro, por Ranieri Brandão, no Filmologia.
Cisne Negro, por Flávia Hardt, no Observatório do Cinema.
Cisne Negro, por Bruno Carmelo, no Discurso-Imagem.
Cisne Negro, por André Renato, na Desenredos.
A Origem, por Bruno Cava, no Quadrado dos Loucos.
A Origem, por Otávio Almeida, no Hollywoodiano.
A Origem, por Rodrigo Cássio, no Vistos e Escritos.
A Rede Social, por Fábio Andrade, na Cinética.
A Rede Social, por Pedro Henrique Ferreira, na Cinética.
A Rede Social, por Fernando Mendonça, no Filmologia.
A Rede Social, por Leandro Calbente e Danilo Ferreira, no Ensaios Ababelados.

14 comentários:

André Renato disse...

Sábias relações, meu caro. É por essas e outras que gosto de afirmar, não sem certa dose de espírito polêmico (mesmo para tomar um posicionamento inconfundível na "política dos autores)que o maior cineasta norte-americano vivo (e bem atuante) é Clint Eastwood.

Que a molecada realmente invente um novo caminho, ou aprenda com o Velho.

Kamila disse...

Sensacional o texto e o paralelo que você faz entre os três filmes. Parabéns!!

Otavio Almeida disse...

"A Rede Social" faz um discurso pós-moderno de nosso tempo? Esse filme é "Pânico 4". Implacável neste quesito.

Mas, cara, você fala que o tempo vai marcar o destino desses 3 filmes. Mas, pergunto, para você, que também gosta de filmes em língua inglesa: Qual filme de 2010 (Made in USA or England) terá um belo reconhecimento do tempo, tirando esses que você citou?

Claro que não incluo "A Rede Social"...

Abs!

Pedro Henrique Gomes disse...

André, gosto muito de alguns Clints recentes (A Troca, Gran Torino, Além da Vida) e acho outros bens toscos (A Conquista da Honra, Invictus), mas posso fazer coro a possibilidade de ele ser um dos grandes, poderia ter incluído ele ali no texto.

Kamila, legal; valeu!

Otávio, Wes Craven faz esculacho, é devasso. Fincher é acadêmico, acomodado. Falando do Fincher de Vidas em Jogo pra cá, porque antes ele era um cineasta excepcional.

São só ideias, não existem respostas certas. Dizer mesmo só o tempo. De susto, sem consultar o IMDB, apostaria em Bravura Indômita (aqui é 2011), Brilho de Uma Paixão (um filme bem pouco quisto) e Toy Story 3. Não consigo me lembrar de mais nenhum. É justamente isso que coloco: cadê o cinema americano?

Otavio Almeida disse...

Não sei se "Bravura Indômita" fica... Talvez por causa do longa com John Wayne. Mas merece, claro. E "Toy Story 3", com certeza. Tem razão. Mas o 1 e o 2 também. O problema é que falamos de sequências e remakes (ou novas versões).

Abs!

Pedro Henrique Gomes disse...

Então não há salvação para esse certo tipo de cinema americano; pelo menos não por agora. Mas nos últimos anos vi muitos filmes brilhantes, como Sangue Negro, Onde os Fracos..., Bastardos Inglórios - pegando apenas uns recentes. E falo isso como quem admira o cinema clássico hollywoodiano.

Thiago Borges disse...

Pedrão, discurso profundamente de que “A Rede Social” possa ser comparado à “A Origem” e “Cisne Negro”, estes dois sim, verdadeiros embustes, feitos para “efeito imediato”, veículos de masturbação estética.

O filme do Fincher não precisa de artíficios para pescar o espectador, ao contrário daqueles; o único momento em que a técnica realmente chama a atenção para si – quando os gêmeos estão na regata e é usado um tilt-shift – possui explicação sensata: ilustrar o quão surreal é aquele mundo de ostentação vivido em que ambos estão inseridos.

E, diferente de “Cisne Negro” (com suas tremidas e afetações) e “A Origem” (câmeras lentas etc. e etc.), há um importante elemento estético que complementa o entendimento de sua narrativa, que não está lá apenas para enfeitar – e ainda assim, tão discreto que nunca chama a atenção e nem todos o percebem: a falta de profundidade de foco em sua fotografia, mostrando que pouca coisa além do “eu” dos personagens é importante para aqueles jovens.

Já em relação à criação de um mundo pobre, sem referência no real, o mundo acadêmico dessas grandes universidades americanas é real? Claro que não. O hedonismo, o culto ao capital e ao status social ali existentes são extemporâneos e bizarros por si só.

Não sou seguidor do David Fincher (apesar de achá-lo um dos poucos, senão o único, diretor da Hollywood atual, sem contar os clássicos, a inserir uma visão de mundo própria em seus projetos – com exceção principalmente de “Benjamin Button”). Também não acho “A Rede Social” um marco na história do cinema, ainda que acima da média da produção contemporãnea; mas comparar este, uma obra coesa e sóbria, com tentativas canhestras de impressionar o público impressionável (parafraseando Inácio Araújo), como são “Cisne Negro” e “A Origem”, é um disparate, Pedrão!!

abs!!!

Thiago Borges disse...

essa do disparate foi boa!! huahauuha

e reforço seu questionamento: cadê o cinema americano?

Pedro Henrique Gomes disse...

Salve, companheiro!

Acredito que todos mamam da mesma mamadeira, bebem na mesma fonte. O Fincher de hoje é maniqueísta (o que em si não seria um problema, mas ele se acomoda no registro de tipos, de estilos, basta olhar as caricaturas que ele faz das personagens, e não falo só do Mark Zuckenberg por sua falácia incessante, mas sim da totalidade: o filme é só isso, pura mecânica do jogo), o de ontem (irei colocar "ontem" no que tange dois de seus grandes filmes: Seven e Clube da Luta) era inquieto, precisa promover rupturas, confrontar os poderes estabelecidos (pode fazer a analogia que quiser na relação vida real/ficção). O de hoje tem um sorrisinho maroto para tudo e um olhar satírico para o mundo que parece demasiado satisfeito, o de ontem era muitos mais obsessivo com sua própria arte, mas apaixonante, poderia dizer.

Não quero com isso isentar o Fincher de ontem nem coroar o de hoje, somente digo que esse cinema que ele vem fazendo (de Benjamin Button pra cá) agora já não me empolga tanto. A minha relação com ele (e com qualquer outro dos dois cineastas citados no texto) é estritamente ligada ao filme-a-filme.

Abraço!

Guilherme disse...

Fantástica análise, meu caro. Meus parabéns.

Abraços.

Pedro Henrique Ferreira disse...

Oi Pedro,

Bacana o texto. A relação é ótima, e acho que neste meio entram uns vários outros (boyle, por exemplo, que vem se mostrando extremamente caduco). Já postou o link para a minha crítica, mas adicionaria uma coisa sobre o rede social: me soa como um filme que de certo modo ridiculariza o próprio mundo de artifícios que constrói, pois, ao final, percebe que após todas as peripécias que armou, só se afastou do problema inicial. (é onde o filme me ganhou). A auto-sabotagem não é visceral como talvez você esperaria, mas é uma auto-crítica, não só a si mesmo, mas a muitas outras coisas "capitais" que caminham juntas. É um debate grande ver qual é sua efetividade.

Já que alguém falou em Clint, Hereafter me soa como uma resposta a todos estes.

Abs.

Thiago Borges disse...

O Pedro Henrique Ferreira falou bem: também acho que "A Rede Social" é uma auto-crítica a esse mundo jovem e vazio.

Em sua resenha, você fala do paralelismo entre o início e o fim do filme. A cena e a entrada de Baby You're a Rich Man é a mais fina ironia que corrobora com a ideia da "quase paródia" que o Fincher fez.

Pedro Henrique Gomes disse...

Vamos concordar, Pedro. Bem lembrado, o 127 Horas do Boyle entra também nessa panaceia. E Clint e seu Além da Vida (um filme que gosto muito) bate firme contra essa corrente que um pouco me assusta.

Só não vejo muito a auto-sabotagem (Pedro) ou essa quase paródia (Thiago). Eu penso que o filme se passa mais através de um turbilhão um pouco perdido de ideias (simbolizado pelas falas frenéticas do protagonista e também pela própria arquitetura narrativa do filme) que busca exprimir a todo custo uma relação possível entre a universidade tecnológica do contemporâneo e o selvagem capitalismo. Mas fica entre os dois, sem aprofundar nenhum. Daí que a velha comparação com Cidadão Kane me soa ainda mais descabida (falando em capitalismo e indústria global).

Abraço e obrigado por contribuírem no debate.

Alex Gonçalves disse...

Pedro, ótimo texto. Sua escrita evoluiu muito com o tempo e ela já era excelente desde o início, francamente.

Não detesto as três obras apontadas, mas também não as aprecio como gostaria. Sinto que são obras pretensiosas, presas em seus mundos particulares, sem permitir a entrada do espectador, algo cruel mesmo para projetos claramente autorais.

Mas também não generalizo. Há muita coisa boa no cinema americano contemporâneo, feito sem muitos artifícios e por mentes brilhantes, mas que infelizmente não ganham o alcance necessário. E falando em tempo, talvez ele se encarregue de fazer justiça.

P.S.: por acidente postei esse mesmo comentário no pop-up de "Desassossego". Ignore. ;-)