Black Dynamite, de Scott Sanders
Existem muitas coisas foram do lugar neste blaxpoitation de Scott Sanders. Os diálogos são explicitamente forçados, o diretor de fotografia e o diretor assistente esquecem o tempo todo de como enquadrar uma ação, deixando o microfone aparecer várias vezes, os atores representam clichês deles mesmos, o roteiro é cheio de conflitos internos de incoerência. As imagens, algumas vezes parecem sujas, rebuscadas; a iluminação dos quadros é juvenil. O personagem é absurdamente habilidoso com armas, lutas e, como se não bastasse, bastante inteligente. A paródia ao gênero mais cultuado dos anos 70 é construída com sabedoria por Sanders. Assim, quem conhece o blaxpoitation sabe que tudo isso são elogios. Nota: 7.5
Coração Louco, de Scott Cooper
As convenções do cinema contemporâneo não afetaram Cooper, que estreia com o pé direito na direção. Coração Louco, filme de estrada movido a country music, parece ser um suspiro de alegria no cinema. Jeff Bridges faz Blake, um músico decadente e enfrentando as dificuldades de um fim de carreira pouco saudável. Maggie Gyllenhaal é Jean, jornalista que quer conseguir uma entrevista com o outrora astro. Colin Farrell vive Tommy Sweet, antigo parceiro de Blake, que está em boa fase na carreira musical. A trama se entrelaça de tal forma de maneira a construir um panorama simplista sobre a vida de Blake, fazendo uso destes dois personagens para ancorar suas mudanças e erros. O filme é todo de e para Blake, pois ele está em todas as cenas. Jeff Bridges dá o tempero necessário para que tal o crazy heart apareça humano aos nossos olhos. A trilha sonora é deliciosa, dificilmente será batida esse ano. Nota: 8
Edukators, de Hans Weingartner
Os Edukators são jovens que invadem mansões em Berlin para revirar os móveis e deixar mensagens de protesto. É mais do que um filme político. Ele faz parte de um seleto grupo de obras que se posicionam além das fronteiras críticas do denuncismo, pois querem levantar uma questão e não apenas registrá-la. A ideia é problematizar o sistema capitalista, colocando em cheque suas condições. A discussão é bem-vinda, os diálogos são inteligentes e a distribuição dos pontos de vista é bastante madura, e isso acaba engrandecendo o filme. Mas também é o caso do filme preguiçoso: a imagem é tratada com descaso, os planos internos são feios e maneira como são filmados os diálogos nessas internas deixam os coadjuvantes parecerem protagonistas. Além disso, o Weingartner parece alienado quando necessita inserir na trama um triângulo amoroso careta – provalmente apenas para identificar sua plateia. Nota: 7.0
Evocando Espíritos, de Peter Cornwell
O assoalho range bastante durante o filme, o personagem principal faz aquelas coisas todas que todos os personagens de terror fazem – quando sabem do perigo e mesmo assim seguem em frente, tal como um Super Homem. Depois é aquilo tudo, um personagem (sempre solitário, estranho, bizarro) sabe como ajudar o coitadinho e as coisas parecem se resolver. Nenhum problema quanto a trabalhar com clichês, a questão é como movê-los de maneira a enriquecer a história que está sendo contada, e não manejá-los como meros artifícios narrativos. Nota: 2
Simplesmente Complicado, de Nancy Meyers
Alec Baldwin parece ter aprendido em 30 Rock a dramatizar um personagem caricato e o faz muito bem aqui. Assim o faz Meryl Streep, como sempre encantadora. Os dois dão sobrevida ao filme de Nancy Meyers, que nada mais apresenta de relevante. Até mesmo Steve Martin, outrora craque em gags de humor, fez feio numa cena com Streep – quando fumam um baseado antes de entrar numa festa ele está excessivamente fora de ponto, caricato e ao mesmo tempo sem presença de cena. Como diria Hitchcock, Simplesmente Complicado é um filme de gente falando – e os diálogos não são bons o suficiente para segurar o filme. O filme constroi uma trama interessante, mas acaba revelando um vazio. Poderiam ser discutidos os temas abordados, mas, ao contrário disso, há apenas um esboço brega. É tudo muito vazio, essa é a questão. Nota: 4.0





4 comentários:
De acordo quanto a EVOCANDO ESPÍRITOS, que é a Nulidade - com n maiúsculo mesmo - do atual cinema de horror: um vazio de encenação, um vazio de ideias, e um infinito de clichês bestas e sustos baratos.
Estou com Coração Louco aqui em casa e ainda não arranjei tempo para vê-lo! Já Edukators é filmaço da melhor qualidade. Eu assisti na faculdade para fazer um trabalho de ciência política. A mesma professora recomendou-me A Onda semanas depois (o qual indico a você, pois é excelente). Os demais eu realmente não vi.
Cultura? O lugar é aqui:
http://culturaexmachina.blogspot.com
Só vi dois filmes:
"Edukators": gosto do filme da discussão que o roteiro faz. A obra, para mim, dialoga muito com filmes como "Laranja Mecânica" e "Clube da Luta", porque temos pessoas que estão deslocadas do mundo em que vivem e querem deixar sua marca, pro bem ou pro mal.
"Simplesmente Complicado": eu gostei muito do longa. Achei engraçado, bem atuado e a Nancy Meyers sabe fazer filmes assim.
Ainda não vi "Coração Louco", o que preciso fazer urgentemente. Dos outros, assisti apenas o fraquíssimo "Evocando Espíritos" e o meia-boca "Simplesmente Complicado".
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