O saber valorizar o silêncio parece não ser um recurso muito compreendido no cinema. Poucos cineastas conseguem representar um filme que se auto-afirma apenas através de suas imagens. Aki Kaurismäki é um mestre neste quesito, por isso A Menina da Fábrica de Fósforos é um filme tão potente e recompensador, pois sabe que o silêncio pode ser o melhor diálogo. O filme se move numa graciosidade sublime, com a leveza de uma composição de Bach. Nota: 8.0
Não é questão para o cineasta romeno Corneliu Porumboiu esquadrinhar realismo proporcionado pela câmera documental em Polícia, Adjetivo. O foco deste filmaço é a observação. E durante todo filme somos convidados a acompanhar o dia-a-dia do policial Cristi, que investiga jovens suspeitos de tráfico de drogas. A trilha sonora é a própria ausência de si mesma, pois o som é aquilo que se cria no imaginário de cada espectador – na maioria dos casos, uma composição angustiante. Mais brilhante ainda é a sequência final, ao expor, através da semântica, a complexidade das crenças humanas. Nota: 8.0
A cena chave para compreendermos esse filme de Joe Wright está na cena onde os personagens de Jamie Foxx e Robert Downey Jr. assistem a um concerto. Nathaniel Ayers (Foxx) parece imergir numa espécie de psicodelia quando ele tenta se comunicar com a linguagem da música de Beethoven. Coloridos e flashes se misturam para tentar compor essa comunicação. É, junto daquelas sequências capitaneadas por Hugh Jackman e Rachel Weisz em Fonte da Vida, uma das coisas mais caretas que o cinema contemporâneo já nos apresentou. Mas, no final das contas, ainda se pode tirar alguns bons momentos das interpretações de Downey Jr. e Foxx. Nota: 4.0
Intrigas de Estado, de Kevin MacDonald (EUA, 2009)
Estranho mesmo é constatar que um filme baseado numa minissérie britânica de 2003 (dirigida por David Yates) possa parecer mais “antiquado” do que o original de 7 anos atrás. Sobre a imprensa muito já se foi relatado, mas Kevin MacDonald quer mesmo detalhar os meandros da profissão, abrindo mão de uma dramaturgia consistente. Muita atenção para detalhes, pouco cuidado com a trama – um pouco limitada a reviravoltas e cacoetes hollywoodianos. Apesar disso, e além da crítica um tanto quanto supérflua a internet e aos blogs – que, segundo MacDonald, são os inimigos do jornalismo -, a narrativa objetiva e seca carrega o filme de tensão – o que é bom. Nota: 6.0
Mais Estranho Que a Ficção, de Marc Forster (EUA, 2006)
O jogo metalinguístico proporcionado pelo prazer de ver Will Ferrell metaforizando neste inusitado filme de Marc Forster é o que o sustenta. Sendo Ferrell um comediante e o filme em questão uma tragédia (afinal o personagem descobre que vai morrer e, apesar das gags, o tom é muito mais existencial do que humorístico), cria-se um espaço de opostos interessante. Forster brinca com a quebra do tempo e com paradoxos - como a personagem de Emma Thompson (que atriz!) que vive e trabalha quebrando o sistema de sua editora, pois não concatena criação e prazo. É justamente o oposto de seu personagem (vivido por Ferrell), que, desde cedo, cronometra todas suas ações durante o dia. Assim como Adaptação, Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças e O Show de Truman (neste time de filmes inusitados), Mais Estranho Que a Ficção vem reforçar um cinema menos convencional e, apesar de não ter a mesma força dramatúrgica que os já citados, cria um efeito interessante. Nota: 7.5
Partir, de Catherine Corsini (França, 2009)
Basicamente este filme de Catherine Corsini se resume ao estudo da paixonite entre os opostos e um pequeno segundo plano sobre a já velha declaração sobre a vida burguesa. Isso porque a personagem de Kristin Scott Thomas é casada com um médico rico e mãe de um casal adolescente, algo como a representação da chamada “vida dos sonhos”. O único problema do filme de Corsini é que a paixão que surge na tela não é a mesma que aparenta existir entre os protagonistas. Nota: 7.0
O suspiro que faltava em filmes de gênero (neste caso a guerra) foi dado por esse filmaço de Kathryn Bigelow. O estado das coisas nas ocupações norte-americanas no Iraque como nunca visto e uma dramaturgia de fazer qualquer fã de O Resgate do Soldado Ryan ficar de queixo caído. Jeremy Renner está mesmo monstruoso como um desarmador de bombas que não cumpre muito bem as regras a ele dadas, mas executa suas missões sempre com competência. Nota: 8.0







9 comentários:
Desses vi apenas três filmes e gosto muito de todos: Intrigas de Estado (8.5); Mais Estranho que a Ficção (9.0); Guerra ao Terror (9.0).
Olá pessoal do Tudo é crítica , tudo bem?
Amei o site de vocês!
Sou colabordor do site cinedica.com.br e gostaríamos de comentar que no dia 17 de janeiro, as 22 horas, iremos agitar um bate papo em nosso site em função da cerimônia do globo de ouro e gostaríamos muito de contar com a presença de vocês e de seus usuários.
Nosso site é feito por amantes e para amantes da sétima arte. Somos contra a pirataria e amamos falar sobre cinema.
Dia 17 é um dia especial pois a cerimônia será mostrada ao vivo via canal TNT e não existe um lugar onde quem curte essa premiação possa debater via mensagens, os acontecimentos, ao vivo, que se seguem.
Gostaríamos de saber se você pode nos ajudar com a divulgação desta nossa iniciativa.
Nós rodamos a internet para encontrar sites interessantes e que fazem parte de nossa filosofia.
Você pode conhecer um pouco desta idéia pelo link: http://www.cinedica.com.br/filmes/cinefest.php
Desde já agradecemos e aguardamos uma resposta.
Atenciosamente, equipe CineDica.
Não vi nenhum filme da lista...¬¬'
Da lista, só vi "Intrigas de Estado" e "Mais Estranho Que a Ficção", ótimos por sinal. E está difícil de achar este "Guerra ao Terror", meu Deus!!!
Beijos! ;)
quero ver guerra ao terror o mais rápido possível. não vi ngm falar mal dele até agora!
Só vi dois filmes:
INTRIGAS DE ESTADO: Gostei muito, especialmente por causa da discussão ética que faz. É muito bom ver Ben Affleck também atuando bem!
MAIS ESTRANHO QUE A FICÇÃO: Adoro esse filme. Especialmente porque ele me faz lembrar, estranhamente, de "As Horas", meu filme favorito.
Assisti apenas "Intrigas de Estado", "Mais Estranho que a Ficção" e "Guerra ao Terror", que recebem 4 estrelas - notas 8.5, 8.5 e 8.0, respectivamente.
Tu acredita que eu ainda não vi esse "Guerra ao Terror", Pedro?
Vamos ver se o queixo vai cair mesmo... ;)
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