O desequilíbrio que presenciamos na montagem das cenas, nas trucagens, na hora do corte e no uso dos flashbacks é um dos grandes problemas do filme dirigido por Stephen “A Múmia” Sommers. Faltou força de vontade para os profissionais envolvidos. Percebe-se, através disso, que G.I. Joe – A Origem de Cobra é um filme feito apenas para fazer a máquina faturar, sem se preocupar com a arte, tão pouco com a reputação de todos os envolvidos no projeto. Até mesmo o entretenimento ficou comprometido. No entanto, sabemos que o principal objetivo do filme (money, baby!) não era esse. Assim, pulamos essa parte.
Ademais, o grande (aqui faz-se uso do termo para indicar a quantidade, diga-se) elenco não tem carisma suficiente para sustentar um filme que necessitaria de muito mais atenção e cuidado na construção dos personagens - mesmo isso não sendo um fator de extrema importância para G.I. Joe, pois a concentração do diretor está totalmente centrada na destruição de Paris e nas calotas polares e no deserto. Os atores pouco podem fazer com seus personagens unidimensionais e presos a uma trama boba e infantil, que dificilmente fará o mais empolgado dos fãs sentir-se recompensado com a experiência, tamanha é sua imbecilidade. A tentativa de ser cool machuca os olhos. Sommers tentou fazer um filme de ação, mas acabou transformando seu filme num grande balaio de confusões tresloucadas, sem nexo algum.
Inspirados na coleção de bonecos Comandos em Ação, o filme conta – ou tenta contar - como o Cobra tornou-se um grupo terrorista. A elite militar americana conhecida como G.I. Joe está na Europa quando recebe a missão de derrotar uma organização do mal, liderada por um traficante de armas. O traficante, que não impõe respeito sob ninguém, está planejando destruir tudo que puder alcançar com sua gosma verde que corrói tudo que toca. Bobagem, não? Mas é isso mesmo. Essa foi a grande sacada de três roteiristas e de mais três que construíram o argumento.
O viés cômico, atirado as traças para Wayans, parece dizer para espectador: "Olha aqui, eu sirvo para fazer você dar risada". Wayans, aliás, é capaz de interpretar tipos engraçados, vide Matadores de Velhinhas, dos irmãos Coen. Tudo bem, utilizamos de um exemplo injusto, pois falamos de dois dos melhores e mais criativos escritores do cinema, mas a preguiça e o desinteresse desse roteiro escrito a seis mãos, três cabeças e, talvez, três cérebros é tanta que não havia nada que podia ser feito pelo elenco. Dennis Quaid, o mais respeitado nome do time, pouco fez, além de ter sido obrigado a profetizar frases vergonhosas que, além de deixar clara a tentativa de causar impacto com o corte que vêm logo em seguida, ainda define seu personagem com preguiça e desinteresse. O restante do esquadrão, à luz da lógica, passa em branco durante a projeção inteira.
O controverso e até mesmo atrapalhado roteiro de G.I. Joe a todo instante se contradiz, tentando de todas as formas exportar algum tipo de adrenalina para fora da tela, até o espectador. Mas, você sabe, caro leitor, que essa sensação não vem a calhar em momento algum da projeção. Via de regra, há um momento onde as coisas parecem ganhar forma, mas tudo vem (literalmente) abaixo quando vemos a Torre Eiffel e um texto sinalizando que estamos em Paris. Fora esta maneira absurda de idiotizar o público, a sequência (desde o início da perseguição pelas ruas) onde a Torre mais famosa do mundo vem abaixo consegue causar algum efeito no espectador. Mas é só. E muito pouco. Uma pena, pois os bonequinhos Hasbro que fizeram (e fazem) sucesso mereciam uma transposição para o cinema de melhor qualidade. Faltou, mais uma vez, criatividade para roteiristas e produtores, e um tanto de maturidade para Stephen Sommers.
(G.I. Joe - The Rise of Cobra, EUA, 2009)
Direção de Stephen Sommers
Com Dennis Quaid, Sienna Miller, Channing Tatum, Marlon Wayans, Christopher Eccleston, Joseph Gordon Lewitt, Arnold Vosloo


12 comentários:
Se o filme não é um exemplo de arte, e nem como entretenimento funciona, não há razão lógica para vê-lo. Se eu não fosse fã da MÚMIA 1 e 2, com certeza jamais ousaria vê-lo, nem em DVD.
Olá Pedro
Mas o que esperar de um filme que é baseado em bonecos. Transformers já teve diversos erros de continuidade e roteiro, GI Joe parece estar indo no mesmo caminho. Mas mesmo assim desejo conferir!
Abraços e até mais.
Ultimamente estou com pouco tempo para o cinema e estou evitando obras como essa, o que não significa que não possa dar uma chance ao filme quando chegar em DVD...
Eu não tenho coragem de assistir a este filme. Não suporto o Stephen Sommers...
E olha que o filme é primeiro lugar de bilheteria nos EUA mesmo com boa parte dos críticos detonando, no Rotten Tomatoes por exemplo está 83 tomates negativos contra 51 positivos,vou arriscar ver essa semana para tirar a prova, mas acho que já sei o que está por vir. Abraços Pedro!
Este filme tem cheiro de coisa podre. Não consigo mais me enveredar em semelhante porcaria. Foi-se o tempo.
Abs!
Talvez eu passe longe. Até pq Stephen Sommers nunca fez nada de tão incrível...
Abs!
Tem selo pra vc lá no meu blog:
http://thecinemaniaco.wordpress.com/
Abs!!!
Bãe, todo mundo detonando o filme... Pena, era tão legal brincar com Comandos em Ação, em respeito à isso merecia algo melhor.
Saudações!
Sensacional, não?
Definitivamente o pior do ano!
naum vi ainda, tenho muita expectativa, talvez mais por um lado sentiemntal de lembrança da infancia rss, mas as criticas sao desanimadoras rss
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