"Stick your cock up her ass, you motherfucking worthless cocksucker"
Não só pelo fato de ter sido o único filme de terror com indicação ao Oscar de melhor filme na história da premiação, mas também por representar todos os estilos e abordagens que o gênero permite, O Exorcista, obra-prima de William Friedkin, é até um hoje um exemplo imbatível de como filmar o horror de maneira realmente assustadora e convincente. A rigor, o gênero mudaria definitivamente seus paradigmas e concepções após o lançamento deste clássico. Regan (Linda Blair) é uma menina misteriosamente possuída por uma força maligna, que a faz levitar e rodar a cabeça, entre outros terríveis fenômenos. Em pânico, sua mãe chama um padre para exorcizá-la, mas mesmo ele tem dúvidas se o fenômeno pode ser atribuído ao demônio.
Não demora muito para Friedkin fisgar o público, pois a maneira com que o diretor conduz a narrativa no primeiro ato deixa o espectador com os nervos em frangalhos (e a tensão aumenta gradativamente durante todo o filme). Antes disso, porém, o diretor pede um pouquinho de paciência para sua platéia, que precisa aborver a primeira sequência do filme com atenção. A partir daqui, estamos prestes a presenciar um dos filmes mais assustadores da história do cinema, onde há espaço para todas as técnicas do vocabulário cinematográfico mostrar a sua grandeza e importância.
Do som à edição, passando pelos maravilhosos e delirantes planos americanos e médios utilizados em abundância pelos diretores de fotografia Billy Williams e Owen Roizman, chegando na direção talentosa e competente de William Friedkin. Funciona tudo como manda o figurino (este também impecável, com o perdão da redundância), mas o grande destaque de O Exorcista é a sua protagonista, sua personagem, leia-se Linda Blair - atriz que dedicou toda a carreira para o gênero, mas nunca mais acertou novamente. A composição de Regan pela até então jovem atriz é nunca menos que impecável, tornando sua criação absolutamente perturbadora, cumprindo seu papel com sobra. Ainda no elenco, destaca-se Max von Sydow (ator preferido de Ingmar Bergman), elegante e eficiente como sempre.
Aqui também temos um belo exemplo de terror psicológico e sanguilonento, pois Friedkin cria uma atmosfera com todos estes requintes e recursos à perfeição. A criação do terreno onde a ação dramática será centrada é desfiada pelo diretor com maestria, é como imaginar Beethoven compondo a 9° Sinfonia. O diretor focaliza sua narrativa e nunca mais perde o controle dela, mantendo o espectador de olhos esbugalhados até o fim daquele exorcismo literal. É lúgubre, enfim, além de delirante e eficiente. Aqui temos as sequências mais assustadoras (e inesquecíveis) da história do gênero, takes até hoje reverenciados por cinéfilos, nerds, fans, góticos e outros cineastas. Dá para se dizer, sem medo de errar, que O Exorcista revolucionou o gênero e segue até hoje como exemplar a ser batido.
O roteiro de William Peter Blatty (autor também do livro) que cuida com perícia dos personagens é outra peça fundamental. Na verdade, a aura de mistério do argumento do escritor funciona incansavelmente, quase nunca deixando o espectador sequer piscar. Sem susto fácil, não foi assim que o roteirista planejou. É através da cultura moral que Blatty aterroriza a plateia, fazendo com que diálogos ofensivos confrontem a moral e a indignação de cada um (personagens e espectadores) dos presentes. Foi um terror instantâneo quando foi lançado e é considerado até hoje o clássico do gênero a ser superado. Permanecerá nesta posição para sempre, porque o que foi feito por Friedkin, Blatty e sua equipe nunca será esquecido.
Nota: 8.5
(1973) Direção de William Friedkin, com Linda Blair, Jason Miller, Max von Sydow, Ellen Burstyn
12 comentários:
Olha, perfeita a sua análise. É um filme que eu não canso de assistir. Até hoje a cena da Linda Blair com o crucifixo me dá calafrios, hauhuaha!!
abraçao
Concordo que seja um filme sólido, bem escrito, muito bem realizado e encenado, mas, por algum motivo insofismável, não se mostrou tão assustador quanto sua fama fazia crer.
De qualquer modo, trata-se mesmo um clássico incontornável.
Cumps.
Acredita que até hoje não vi esse filme. E olha que nem é por medo, pq eu até gosto do gênero (inclusive assisto Apparitions, uma série britânica sobre o exorcismo). Mas qualquer dia eu revejo essa falha e assisto esse filme.
Para mim, William Friedkin, em "O Exorcista", dá uma aula de como estruturar um filme de suspense. Além disso, em termos de linguagem cinematográfica, a obra é uma das mais interessantes e inovadoras do gênero. Um clássico indispensável a qualquer cinéfilo.
Além do filme ter sido indicado ao oscar, ele é um filme de terror realmente... um dos últimos ou senão o último de terror. Atualmente, não existe mais longas de terror... no máximo um suspense com sangue.
Ass.: André - Milha Turva
O filme é um marco do gênero com todas as justiças. Mas talvez por ter ouvido falar tanto dele, quando assisti não fiquei tão impressionado/amedrontado. Linda Blair tá muito bem, mas sua performance foi bastante manipulada, por dublês, dubladores e todos esses truques de filmagem. A meu ver, mereceu perder o Oscar para Tatum O'Neal.
Este é um filme antigo que não envelheceu e que assusta até hoje. Cenas sensacionais e um clima de terror angustiante.
Filmaço.
Abraço
Como o Gustavo, eu também nem acho que seja tão assustador assim (talvez para a época tivesse um efeito maior), mas certamente é um dos clássicos do gênero e sempre será copiado - superado, é complicado mesmo.
Isso sim é filme de terror, porra! hahahaha! De borrar os fundilhos das calças...
Abs!
Acho que "O Exorcista" é um filme excelente dentro de sua proposta (e assistí-lo após a meia-noite pode ser mesmo algo inesquecível, rsrsrs).
Mas é meio exagerado em algumas partes. Aquela cena do crucifixo, por exemplo, é tão dispensável! Sério, sem moralismos, para que aquela besteira? E as chuvas de vômito verde são cansativas às vezes.
Bom, no geral é bem legal... Assusta muito e tem um roteiro bem enxuto.
Você sabia que a Mercedes McCambridge dublou o Demo nesse filme? É, aquela que fez a irmã do Rock Hudson em "Assim Caminha a Humanidade"...
Acho que só Roman Polanski foi capaz de realizar filmes sobre possessão demoníaca ou coisa dos cafundós do inferno à altura de "O Exorcista". É mesmo um horror onde muitos tem a ambição de superar, inclusive o próprio William Peter Blatty, que moldou o risível "O Exorcista III". Abraços!
Acho que é simplesmente o filme mais assustador de todos os tempos...
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