Desde os primórdios - falamos aqui do Homo sapien - que a humanidade faz Arte (sim, será o texto todo com "A"). Não, melhor ainda, nós criamos Arte. Fazia-se, lá antes do Messias, Arte harmônica - os livros de história permitem apreciarmos um pouco disso tudo. Mas a raça evoluiu (para o bem e para o mal), e hoje não fazemos só Arte harmônica e visual. Mas antes de chegarmos na Era Obama e da Gripe Suína, vamos retroceder alguns séculos. Arte é a criação humana que valoriza a imagem, a estética, a beleza, o sentimento, a harmonia, a fúria, a tristeza, a dor e milhares de outros adjetivos. A Arte pode ser sentida, ouvida, interpretada ou apenas apreciada, como bem o fazem os leigos. São sete as Artes, segundo os rotuladores da humanidade: Música, Dança, Escultura, Pintura, Teatro, Literatura e Cinema.
Artista é aquele que faz Arte, certo? Foi possível afirmar isso há centenas de 365 dias atrás com convicção, mas hoje não é este o cenário artístico que vemos. Eram artistas Rodin e Michelangelo, que esculturavam maravilhas como O Pensador e David, respectivamente. Hoje, entretanto, são artistas todas as frutas, os famosos que dançam aos domingos, os músicos que cantam canções de uma frase, os operários das letras, enfim, você, sábio leitor, sabe muito bem. Os tempos mudaram e sim, tudo faz parte da evolução da espécie, mas casualmente não parece racional (é, somos racionais, apesar de não passarmos de selvagens elegantes, pois inventamos o espeto e o fogão, não comemos nada cru, como o fazem os apressados) que sejam estes meros palhaços sem nariz vermelho considerados artistas.
Para a música, Mozart fez A Flauta Mágica e Beethoven compôs a Nona Sinfonia, nada mais genial que isso foi feito na música erudita até então. Há um sentimento por trás de partituras, tons e melodias, coisa que só um verdadeiro artista consegue transmitir. Até mesmo Van Gogh sob suas fortes crises de loucura pintava impressões e contava histórias com um único e genial quadro, como em Os Comedores de Batata. Assim também o fazia Da Vinci com a Arte sacra de A Última Ceia e Picasso e seu Cubismo de Guernica. Mas você, leitor que aprecia a Arte da pintura, não está perdido, pois atualmente temos revistas masculinas e femininas com bastante pintura, só que digital. É a velha história, existem artistas e operários dos recursos técnicos. Hoje, porém, muito mais operários. Mas ainda há artistas, diga-se.
Se Dostoiévski escreveu Crime e Castigo e Tolstói idealizou Guerra e Paz, que seja louvada a literatura de nossos antepassados, pois obras-primas como estas não surgiram mais. Na Era digital, o sucesso é dominado por escritas rápidas e cartunescas, onde a tecnologia mistura-se com a velha narrativa com o intuito de contar uma história que pegue o leitor pela manga e o carregue até a última página, a da revelação final. Na maioria dos casos o leitor termina o livro satisfeito, pois aquele tempo despendido o fez navegar por aventuras incríveis. Passa-se o tempo e já não se sabe como terminou a história, pois estamos nos tempos modernos e o leitor gosta da leitura instantânea. A Arte literária atual não é menos Arte do que aquela dos tempos de ouro de Balzac, Tolstói e Dostoiévski, apenas segue a exigência do público contemporâneo, que gosta do que gosta e ponto final. É Arte.
O mesmo vale para o Teatro, desde Sófocles (Édipo Rei) até Shakespeare e chegando aos autores atuais. Notem que há um grande espaço temporal entre Sófocles, Shakespeare e nossos autores de hoje, mas no Teatro, diferentemente das outras Artes, a essência não envelheceu para o público. Um fã do Teatro, por exemplo, por mais jovem que seja, deleita-se com adaptações de Shakespeare, enquanto na música ou na literatura o mesmo pode fugir de Tchaikovsky e Machado de Assis.
Para a música, Mozart fez A Flauta Mágica e Beethoven compôs a Nona Sinfonia, nada mais genial que isso foi feito na música erudita até então. Há um sentimento por trás de partituras, tons e melodias, coisa que só um verdadeiro artista consegue transmitir. Até mesmo Van Gogh sob suas fortes crises de loucura pintava impressões e contava histórias com um único e genial quadro, como em Os Comedores de Batata. Assim também o fazia Da Vinci com a Arte sacra de A Última Ceia e Picasso e seu Cubismo de Guernica. Mas você, leitor que aprecia a Arte da pintura, não está perdido, pois atualmente temos revistas masculinas e femininas com bastante pintura, só que digital. É a velha história, existem artistas e operários dos recursos técnicos. Hoje, porém, muito mais operários. Mas ainda há artistas, diga-se.
Se Dostoiévski escreveu Crime e Castigo e Tolstói idealizou Guerra e Paz, que seja louvada a literatura de nossos antepassados, pois obras-primas como estas não surgiram mais. Na Era digital, o sucesso é dominado por escritas rápidas e cartunescas, onde a tecnologia mistura-se com a velha narrativa com o intuito de contar uma história que pegue o leitor pela manga e o carregue até a última página, a da revelação final. Na maioria dos casos o leitor termina o livro satisfeito, pois aquele tempo despendido o fez navegar por aventuras incríveis. Passa-se o tempo e já não se sabe como terminou a história, pois estamos nos tempos modernos e o leitor gosta da leitura instantânea. A Arte literária atual não é menos Arte do que aquela dos tempos de ouro de Balzac, Tolstói e Dostoiévski, apenas segue a exigência do público contemporâneo, que gosta do que gosta e ponto final. É Arte.
O mesmo vale para o Teatro, desde Sófocles (Édipo Rei) até Shakespeare e chegando aos autores atuais. Notem que há um grande espaço temporal entre Sófocles, Shakespeare e nossos autores de hoje, mas no Teatro, diferentemente das outras Artes, a essência não envelheceu para o público. Um fã do Teatro, por exemplo, por mais jovem que seja, deleita-se com adaptações de Shakespeare, enquanto na música ou na literatura o mesmo pode fugir de Tchaikovsky e Machado de Assis.
O Cinema, que é a junção entre as outras seis Artes (som, movimento, cor, volume, representação, palavra) também mostra a mudança de visão do público, que prefere os efeitos especiais que aproximam dos games às histórias clássicas que fizeram sucesso outrora. Continua sendo Arte, pois ainda é Cinema e o público ainda é feito por seres humanos, só que agora a preferência chama para o que está na moda. Se o público continua indo ao Cinema e divertindo-se, é tudo válido, afinal, a Arte é feita para o público. E os grandes estúdios seguem apostando suas milionárias fichas nestes filmes arrasa-quarteirão, pois diverte o público, garante a sustentação da indústria e todos vivem felizes para sempre - ou enquanto a exigência mudar novamente.
Independente da mídia de apresentação, o que importa é que o espectador tenha seu ingresso válido e saia satisfeito da sessão, sorrindo ou chorando, seja qual for o sentimento atrelado ao término de algum espetáculo. Uma boa história sempre funciona e a Arte está para todos os gostos. Na verdade, há uma democracia, pois há espaço para todos os exigentes espectadores. A Arte, afinal, ainda é Arte e sempre vai encantar seus amantes fiéis.

9 comentários:
a ultima frase sintetizou tudo né: A Arte, afinal, ainda é Arte e sempre vai encantar seus amantes fiéis. Gostei! Alohaa
Pedro, e este seu texto foi pura arte! Parabéns!!! :-)
Grande Pedro, sempre propondo boas discussões!
Eu tenho uma percepção um pouco diferente dessa arte acessível ao público. Acho que é preciso diferenciar a arte das manifestações da cultura de massa. Cinema é, na sua essência, entretenimento. Surgiu para entreter. Obviamente, com o tempo, foi capacitando gente com apuro artístico para elevar o padrão ao patamar de obra de arte. Porém, os arrasa-quarteirões são nada menos do que produtos de uma indústria cultural calcada justamente em uma alienação rentável e imobilizadora - assim como os livros que estão no topo das listas dos mais vendidos: os de auto-ajuda.
Quanto à música erudita, ainda me surpreendo com compositores contemporâneos geniais, como Satie (pai do minimalismo) e Debussy - tão geniais, na minha opinião, quanto Mozart ou Beethoven.
O layout novo ficou bem bacana, hein?
Abs!
excelente texto pra marcar o novo layout!!!
vou favoritar o texto, certamente...
e concordo qdo o dudu diz que "Acho que é preciso diferenciar a arte das manifestações da cultura de massa"...
abraços!
Obrigado pessoal. Fico feliz que tenham lido e apreciado minhas desventuras.
Até mais!
Pedro, seus artigos estão cada vez mais elegantes, cara!
Eu gostei demais da aproximação que você fez dos tempos da arte e de como o conceito de arte parece perdido. Pra mim a arte essencialmente verdadeira é aquela que tem o poder de conferir uma visão ao público, de acrescentar, alimentar. Muito do que vejo hoje é uma arte vendida, pré-digerida, sem os encantos do raciocínio.
Parabéns, meu amigo! o/
Uau, Parabéns pelo texto! mt bom hein!? =D
abraço
Que belo texto hein... afinal o título do blog é Tudo É Crítica, e ótima crítica discussiva esta.
Exatamente, Luciano. Se o público tem essa visão, deslumbra-se, é o efeito da Arte verdadeira sincera. Muito bem acrescentado.
Dudu, Debussy é um gênio!
Obrigado a todos mais uma vez!
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