A câmera documental muitas vezes exerce forte influência sobre a representação dos sentimentos dos personagens dentro de um contexto dramático. É aquilo mesmo, câmera na mão e muita correria atrás do realismo tão desejado. A rigor, este tem sido um recurso bastante utilizado no cinema nos últimos anos. O Lutador, novo filme de Darren Aronofsky, é o representante mais bem sucedido desta vertente que tem conquistado cada vez mais adeptos na indústria cinematográfica. Aronofsky, diga-se de passagem, realizou um filme autoral e com grande elenco, onde o tour de fource de Mickey Rourke é o responsável por grande parte da qualidade deste excelente filme de porrada metalingüística.
A vertente batizada de cultura pop ecoa hoje nas mais diversas formas de expressão. No cinema, mais do que nunca, ela está em alta. A arte, a nossa arte, que tende a ser antagônica ao universo eclético, serve basicamente, para não dizer propriamente, como uma rota de fuga do vulgar e perecível. Para não permitir que uma possível superficialidade tomasse conta do protagonista, Darren Aronofsky fez duas escolhas: a abordagem seria exclusivamente documental e Mickey Rourke seria o wrestler do título. De fato, é o que acaba garantindo a verossimilhança da história, já que a câmera na mão aproxima e torna fácil a empatia do público para com o protagonista, e a performance vibrante de Rourke se encarrega de, literalmente, carregar o peso de um legítimo filme-protagonista nas costas.
Mas O Lutador vai além do rótulo de filme-porrada. Primeiramente, Aronofsky tratou de estabelecer o vínculo do protagonista com o espectador, apresentando-nos suas costas largas e seus cabelos louros. Depois, o diretor foi, aos poucos, mostrando o rosto surrado do lutador e, quando o vemos por completo seu semblante decadente, já temos autoridade suficiente para constatar que estamos diante de uma figura solitária, mas que encontra a felicidade em sua profissão. Seria, portanto, um homem feliz, não fosse seu passado repleto de escolhas equivocadas. A grande sacada do roteiro no primeiro ato foi justamente conseguir aproximar e tornar real a existência daquele Ser, algo que acaba ganhando ainda mais impacto devido a abordagem estética da câmera documental.
A vertente batizada de cultura pop ecoa hoje nas mais diversas formas de expressão. No cinema, mais do que nunca, ela está em alta. A arte, a nossa arte, que tende a ser antagônica ao universo eclético, serve basicamente, para não dizer propriamente, como uma rota de fuga do vulgar e perecível. Para não permitir que uma possível superficialidade tomasse conta do protagonista, Darren Aronofsky fez duas escolhas: a abordagem seria exclusivamente documental e Mickey Rourke seria o wrestler do título. De fato, é o que acaba garantindo a verossimilhança da história, já que a câmera na mão aproxima e torna fácil a empatia do público para com o protagonista, e a performance vibrante de Rourke se encarrega de, literalmente, carregar o peso de um legítimo filme-protagonista nas costas.
Mas O Lutador vai além do rótulo de filme-porrada. Primeiramente, Aronofsky tratou de estabelecer o vínculo do protagonista com o espectador, apresentando-nos suas costas largas e seus cabelos louros. Depois, o diretor foi, aos poucos, mostrando o rosto surrado do lutador e, quando o vemos por completo seu semblante decadente, já temos autoridade suficiente para constatar que estamos diante de uma figura solitária, mas que encontra a felicidade em sua profissão. Seria, portanto, um homem feliz, não fosse seu passado repleto de escolhas equivocadas. A grande sacada do roteiro no primeiro ato foi justamente conseguir aproximar e tornar real a existência daquele Ser, algo que acaba ganhando ainda mais impacto devido a abordagem estética da câmera documental.
Na trama, Mickey Rourke é Randy "The Ram" Robinson, ex-lutador profissional que hoje compete no circuito independente. Levando uma vida jogada as traças, The Ram não faz nada para tentar se reestabelecer. Seu único subterfúgio é a sua relação com a stripper Cassidy (Marisa Tomei), mulher que acaba encorajando-o a tentar retomar sua vida perante sua filha (Evan Rachel Wood), mesmo sabendo que ela o rejeita.
Como pode-se notar, a trama não tem uma teia muito complexa de intrigas, mas é justamente essa abordagem despretensiosa na medida em que não se propõe a alçar grandes vôos filosóficos tampouco inovar a linguagem que acaba garantindo o envolvimento do espectador com a obra. A interpretação de Mickey Rourke é tão ajustada ao personagem que nunca duvidamos do realismo da trama. Além do mais, o grande ator compartilha seu sofrimento a todo instante com o público, já que a câmera de Aronofsky faz questão de mostrar a alma do personagem nas cenas mais dramáticas.
Como se não bastasse, O Lutador ainda apresenta dois outros grandes desempenhos por parte do elenco. Marisa Tomei, atriz vencedora do Oscar, está linda e excelente. Sua personagem é composta com pompa dramática carregada, mas que nunca apela para artificialismos e banalidades. Tomei compõe uma personagem fundamental dentro da estrutura narrativa do roteiro de Robert D. Siegel, que só erra na relação pai e filha. Via de regra, Evan Rachel Wood fez um bom trabalho como a filha de The Ram, o problema é que sua personagem não atinge o nível superior alcançado por Rourke e Tomei, tornando sua criação levemente inferior perante o público.
Alavancado pelo final simples e sujestivo, O Lutador se encerra com uma cena espetacular, que, para muitos, pode ter soado previsível e sem graça, mas para Randy "The Ram" Robinson representa a síntese de sua existência. Aliás, o encerramento proporciona um apelo tão melancólico em prol da felicidade e do argumento "faça o que gosta". Lindo filme!
Alavancado pelo final simples e sujestivo, O Lutador se encerra com uma cena espetacular, que, para muitos, pode ter soado previsível e sem graça, mas para Randy "The Ram" Robinson representa a síntese de sua existência. Aliás, o encerramento proporciona um apelo tão melancólico em prol da felicidade e do argumento "faça o que gosta". Lindo filme!
Nota: 8.5
Ano: 2008
Diretor: Darren Aronofsky
Elenco: Mickey Rourke, Marisa Tomei, Evan Rachel Wood

15 comentários:
Lindo mesmo! E gostei muito da escolha do Aronofsky, em colocar uma câmera na mão e seguir o seu astro, quase em tom documental. Funcionou muito bem! E, por fim, apesar do título, "O Lutador" está muito longe de ser um filme-porrada, afinal quase não tem porrada nenhuma, todas as lutas no ringue são ensaiadas, não é mesmo? As únicas porradas são as que a vida deu em Randy (e que não foram gratuitas, vale dizer). Abraço!
É um filme muitíssimo bom que, simples, nos comove e envolve... Achei excelente, com a mesma nota!
Achei esse filme de uma força descomunal, com certeza merecia estar entre os 5 melhores filmes de 2008 na última edição do Oscar. Mais uma vez Aronofski brilha com seus recursos, Rourke tem uma interpretação dolorosa e muito pungente - ao passo de que Evan e Marisa estão em seus melhores momentos.
E o final, apesar de triste e anticlímax, foi perfeito para que entrássemos de verdade no espírito de Randy "The Ram".
Abraços, Pedro!
Bruno, diga que as lutas são ensaiadas para o wrestler que leva uma cadeirada na cabeça ou para o fera que grampeia a cara!
Muito bom ver esse filme recebendo o merecido reconhecimento entre os blogueiros, acho que quase todo mundo gosto MUITO de "O Lutador"!
Hehehe, mas isso é ensaiado dentro do limite que o improviso permite. Nessas lutas, o resultado é sempre pré-ajustado, o que importa é o espetáculo apenas. Mas as lutas serem ensaiadas não quer dizer que não sejam brutais, como vc mesmo apontou que foram.
Adoro filmes que privilegiam o contato com o espectador e quero muito ver "O Lutador". Até porque os comentários todos têm sido ótimos e eu quero muito conferir a elogiada atuação de Mickey Rourke.
Bom final de semana!
Este é um dos poucos que ainda não tive a chance de ver !
Um dos maiores injustiçados do ano pela Academia, além da espetacular canção de Bruce Sprignsteen.
Assisti esta semana. Me decepcionei muito.
=/
As virtudes destacadas me fazem crer que O LUTADOR deve se tratar do melhor filme de Aronofsky até hoje, com menos firulas que os anteriores.
Pra mim, um doa melhores da temporada. Rourke num tour de force e um elenco de apoio extraordinário.
Além, é claro, de um GRANDE roteiro!
Abs!
Um dos cinco melhores filmes de 2008! Mickey Rourke fantástico!
Abs!
Pedro, adorei o que você disse da Marisa Tomei (o fã aqui agradece), mas já disse que não consegui curtir o filme com o mesmo entusiasmo que o seu.
acho a cena final devastadora, no bom sentido
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