Quem conhece o cinemão hollywoodiano sabe que Clint Eastwood tem domínio total sobre o seu ofício. Como ator, Clint nunca foi acima da média, apesar de sempre se entregar de corpo e alma aos seus personagens. Por outro lado, enquanto diretor, o hoje experiente Clint possui algumas obras invejáveis. Por exemplo, exercitou a arte dramática com categoria em Menina de Ouro. Trabalhou muito bem à serviço da estrutura narrativa em um dos filmes mais coesos de sua filmografia, Sobre Meninos e Lobos. Antes disso, contudo, homenageou com garra o gênero que o consagrou com o faroeste competente Os Imperdoáveis - que também foi o filme que o consagrou como diretor dentro da indústria de Hollywood.
A rigor, o diretor volta com carga dramática pesada, elenco de peso e pompa técnica ambiciosa para desenvolver um drama forte e, por vezes, duro. A Troca possui todos os atributos básicos que o projeto de cinema do autoral Clint exige, embora quase nenhum deles funcione trabalhando em seu esplendor. Pontos fortes e pequenas falhas fazem de A Troca um filme bem feito, porém irregular e algumas vezes convencional. Ainda assim, a elegância e a sensibilidade de Clint permite ao espectador assistir um belo filme, com atuações excelentes e fotografia magnífica.
A trama, calcada em um acontecimento real, conta a história de uma mãe (Angelina Jolie) que, ao voltar do trabalho, não encontra seu filho em casa. Desesperada, ela parte em busca do filho, chamando a polícia, que pouco faz. 5 meses depois, ela recebe um telefone dizendo que seu filho foi encontrado. Quando vai buscá-lo, porém, vê que o menino que tem diante de seus olhos não é seu filho, não é o verdadeiro Walter. Enquanto a polícia tenta convence-la a ficar com o garoto. A partir daí, Christine Collins vai em busca daquilo que chamamos de "justiça cega".
O filme, produzido pelo competente trabalho do mega-magnata Brian Grazer (Uma Mente Brilhante) e do diretor inconstante Ron Howard (também Uma Mente Brilhante), possui defeitos e virtudes, mas ambos são tão gritantes que não há como ficar em cima do muro em relação ao filme. O roteiro de J. Michael Straczynski é correto, porém longo demais, perdendo tempo com cenas desnecessárias (a primeira em que o personagem de John Malkovich aparece, falando sobre o desaparecimento do garoto, por exemplo) enquanto poderia trabalhar melhor no desenvolvimento dos personagens, que é onde o filme mais carece de vigor. O reverendo Gustav Briegleb, por exemplo, só realmente um personagem equilibrado e importante dentro do contexto narrativo graças a atuação eficiente do ótimo John Malkovich. Jeffrey Donovan, que faz o capitão corrupto J.J Jones também não decepciona, entregando uma interpretação dramática correta, assim como Amy Ryan.
Fica explícito, no entanto, que A Troca tem na performance apaixonada e calorosa de Angelina Jolie a sua maior virtude. Angelina confirma a virada na carreira depois de uma seqüência de bons trabalhos (O Bom Pastor, O Preço da Coragem, O Procurado), deixando papéis superficiais de lado e encarando desafios que estudam mais o seu talento dramático. Aliás, em A Troca Jolie trabalha em terreno bastante conhecido, remetendo diretamente a um dos seus melhores trabalhos (Garota, Interrompida). Vivendo uma mãe que luta vigorosamente em busca do seu filho desaparecido, Jolie se entrega e presenteia o espectador com um trabalho acima da média. Angústia, aflição, dor e esperança se misturam naquele rosto que transmite emoção com um simples gesto ou expressão facial. Como poucas atrizes são capazes de fazer.
Apesar disso, A Troca está longe de ser um filme perfeito. A trilha sonora de Clint funciona bem em todos os momentos e o trabalho de fotografia de Tom Stern é fantástico, apostando em uma paleta escura que usa a iluminação muito bem (refletindo sempre o tom da narrativa no rosto dos personagens). Por outro lado, Clint estica demais a história, insere cenas desconexas e sem simetria alguma no primeiro ato (como a já apontada no início do texto) e engana a platéia com um porção de falsos-finais que acabam cansando devido a fragilidade do roteiro nessas cenas. Nada impede, porém, que o clímax seja conduzido com categoria e precisão cirúrgica pelo diretor.
A câmera objetiva de Clint, sempre a serviço de conduzir a narrativa ao ponto culminante do clímax e preocupada com a criação artística, compreende o drama da protagonista com excelência e, ancorada por uma Jolie inspirada, emociona. Enquanto a crítica especializada continua tentando decifrar - e fingindo saber - o que eles nunca irão entender (que é a criação artística unida a ação dramática com o único objetivo de contar uma boa história apoiada fatos reais ou ficção) porque eles não trabalham com cinema por amor e sim por profissão, o cinema segue mostrando que uma história boa e bem contada sempre funciona.
Nota: 8A trama, calcada em um acontecimento real, conta a história de uma mãe (Angelina Jolie) que, ao voltar do trabalho, não encontra seu filho em casa. Desesperada, ela parte em busca do filho, chamando a polícia, que pouco faz. 5 meses depois, ela recebe um telefone dizendo que seu filho foi encontrado. Quando vai buscá-lo, porém, vê que o menino que tem diante de seus olhos não é seu filho, não é o verdadeiro Walter. Enquanto a polícia tenta convence-la a ficar com o garoto. A partir daí, Christine Collins vai em busca daquilo que chamamos de "justiça cega".
O filme, produzido pelo competente trabalho do mega-magnata Brian Grazer (Uma Mente Brilhante) e do diretor inconstante Ron Howard (também Uma Mente Brilhante), possui defeitos e virtudes, mas ambos são tão gritantes que não há como ficar em cima do muro em relação ao filme. O roteiro de J. Michael Straczynski é correto, porém longo demais, perdendo tempo com cenas desnecessárias (a primeira em que o personagem de John Malkovich aparece, falando sobre o desaparecimento do garoto, por exemplo) enquanto poderia trabalhar melhor no desenvolvimento dos personagens, que é onde o filme mais carece de vigor. O reverendo Gustav Briegleb, por exemplo, só realmente um personagem equilibrado e importante dentro do contexto narrativo graças a atuação eficiente do ótimo John Malkovich. Jeffrey Donovan, que faz o capitão corrupto J.J Jones também não decepciona, entregando uma interpretação dramática correta, assim como Amy Ryan.
Fica explícito, no entanto, que A Troca tem na performance apaixonada e calorosa de Angelina Jolie a sua maior virtude. Angelina confirma a virada na carreira depois de uma seqüência de bons trabalhos (O Bom Pastor, O Preço da Coragem, O Procurado), deixando papéis superficiais de lado e encarando desafios que estudam mais o seu talento dramático. Aliás, em A Troca Jolie trabalha em terreno bastante conhecido, remetendo diretamente a um dos seus melhores trabalhos (Garota, Interrompida). Vivendo uma mãe que luta vigorosamente em busca do seu filho desaparecido, Jolie se entrega e presenteia o espectador com um trabalho acima da média. Angústia, aflição, dor e esperança se misturam naquele rosto que transmite emoção com um simples gesto ou expressão facial. Como poucas atrizes são capazes de fazer.
Apesar disso, A Troca está longe de ser um filme perfeito. A trilha sonora de Clint funciona bem em todos os momentos e o trabalho de fotografia de Tom Stern é fantástico, apostando em uma paleta escura que usa a iluminação muito bem (refletindo sempre o tom da narrativa no rosto dos personagens). Por outro lado, Clint estica demais a história, insere cenas desconexas e sem simetria alguma no primeiro ato (como a já apontada no início do texto) e engana a platéia com um porção de falsos-finais que acabam cansando devido a fragilidade do roteiro nessas cenas. Nada impede, porém, que o clímax seja conduzido com categoria e precisão cirúrgica pelo diretor.
A câmera objetiva de Clint, sempre a serviço de conduzir a narrativa ao ponto culminante do clímax e preocupada com a criação artística, compreende o drama da protagonista com excelência e, ancorada por uma Jolie inspirada, emociona. Enquanto a crítica especializada continua tentando decifrar - e fingindo saber - o que eles nunca irão entender (que é a criação artística unida a ação dramática com o único objetivo de contar uma boa história apoiada fatos reais ou ficção) porque eles não trabalham com cinema por amor e sim por profissão, o cinema segue mostrando que uma história boa e bem contada sempre funciona.
Ano: 2009
Direção: Clint Eastwood
Elenco: Angelina Jolie, John Malkovich, Jeffrey Donovan, Amy Ryan

11 comentários:
Estou bem ansioso para conferir a obra. Como você bem disse, a Angelina parece ser o que de melhor oferece a obra.
Abs!
Olá Pedro, estou criando um blog sobre cinema e gostaria de incluí-lo na minha lista de links. O endereço é http://thecinemaniaco.wordpress.com/. Depois me dê um retorno aprovando a inclusão de seu link e fazendo uma visita ao blog. Abs!
Denis Torres
Pedro, o flme parece ser bom, estou ansiosa por filmes diferentes.
Beijos.
Hahahhahahaha... Muito boa a legenda baseada na Amy Winehouse.
E ótima crítica! Parabéns! Concordo com Clint se estendendo demais desta vez.
E adorei a alfinetada na crítica especializada. Enquanto nós estamos aqui, eles ganham dinheiro com isso como um trabalho qualquer. É claro que temos exceções, mas este é o cenário atual.
Abs!
Para você ver como Angelina Jolie cresceu ... a moça merece e espero que ela continue assim, balanceado em seus projetos ...
Vou ver depois ...
Como você sabe, não gostei muito desse filme. Mas a Angelina se salva, claro!
Todos nós temos noção de muitas das faltas existentes no nosso actual mercado do DVD. Há títulos importantíssimos que ainda não foram lançados.
O nosso objectivo não é culpar seja quem for.
Serve a presente rúbrica para chamar à atenção de uma dessas faltas: THE FALL em DVD. Aclamado por todo o mundo como um dos melhores filmes do ano, gostaria de apelar à sensibilidade dos actuais responsáveis pela indústria para o lançamento deste título em Portugal.
Sozinha, uma voz poderá não ir muito longe. Por isso, gostaria de contar com o apoio de todos os meus colegas da comunidade de blogs e sites de cinema em Portugal.
Muitas vozes, poderão certamente fazer-se ouvir.
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Gostaria que todos os interessados fizessem um post nos vossos blogs e sites com o título:
THE FALL em DVD
com uma imagem do filme ou simplesmente fazendo o download da imagem que usei neste post
e com o texto:
«Todos nós temos noção de muitas das faltas existentes no nosso actual mercado do DVD. Há títulos importantíssimos que ainda não foram lançados.
O nosso objectivo não é culpar seja quem for.
Serve a presente rúbrica para chamar à atenção de uma dessas faltas: THE FALL em DVD. Aclamado por todo o mundo como um dos melhores filmes do ano, gostaria de apelar à sensibilidade dos actuais responsáveis pela indústria para o lançamento deste título em Portugal.
Sozinha, uma voz poderá não ir muito longe. Por isso, gostaria de contar com o apoio de todos os meus colegas da comunidade de blogs e sites de cinema em Portugal.
Muitas vozes, poderão certamente fazer-se ouvir».
Veja o modelo, clicando AQUI.
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Muitas vozes, poderão certamente fazer-se ouvir.
Obrigado a todos.
Roberto F. A. Simões
cineroad.blogspot.com
Também estranhei esse auê negativo dos 'críticos profissionais' sobre o filme. Clintão mandom bem, um bom filme como de costume. Aliás, filme triste é com ele mesmo, puta merda.
Bah, agora que fui ver a tragédia com o Xavante. Que coisa... toda força do mundo pra Pelotas.
Abraços!
Já fui lá, Denis!!!Muito legal.
Valeu mesmo, Otávio!
Marcus, triste demais. Mas triste mesmo foi o acidente, o cara fica chocado mesmo. É realmente de se lamentar e enviar a força para lá!
Abraço a todos!
Gostei bastante, principalmente da direção de Clint, que utiliza clichês em muitas cenas, e incrivelmente a cena não se torna clichê.
Abraços!
Sabes que minha nota foi um tantinha maior que a sua e percebi algo: fui o único que não achou o roteiro longo. Pra mim, aquilo tudo era necessário.
Abraços!
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